Defesa 'estranha' fato de acusação chegar só agora

"Acho muito estranho essa denúncia ter sido oferecida agora, seis anos depois (dos fatos), em período pré-eleitoral e muito próximo ao julgamento do mensalão", reagiu o criminalista Alberto Zacharias Toron, defensor de Hamilton Lacerda, coordenador da campanha eleitoral de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo pelo PT em 2006.

O Estado de S.Paulo

20 Junho 2012 | 03h07

Toron ponderou que ainda não teve acesso à acusação formal do Ministério Público Federal, que relata a suposta participação de Lacerda no episódio dos "aloprados". Segundo inquérito da Polícia Federal, Lacerda foi emissário do dinheiro e flagrado pelo sistema interno de vídeo do Hotel Ibis Aeroporto em duas oportunidades.

O advogado Roger Fernandes, que defende o engenheiro Valdebran Carlos Padilha, revelou perplexidade com a denúncia. "Causou-nos muita estranheza os tipos penais imputados a Valdebran, tais como formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro."

Casa de câmbio. Para Fernandes, o enquadramento criminal de seu cliente "definitivamente não se amolda à conduta (de Valdebran) no episódio conhecido como dossiê pelo simples fato de ele não ter conhecimento da origem do dinheiro e não ter vínculo com nenhuma casa de câmbio".

Fernandes argumenta: "Ele (Valdebran) não era responsável pelo transporte do dinheiro. A responsabilidade de Valdebran consistia tão somente na intermediação da negociação, em verificar a existência do numerário e do material apreendido e, dessa forma, dar ok às pessoas para que fizessem a transação. Aos olhos da defesa essa transação era totalmente lícita. Valdebran desconhecia qual seria o destino a ser dado àquele material."

O advogado afirma ainda que "nos autos não há sequer uma única prova que corrobore a denúncia contra Valdebran". "As acusações são desassociadas de todo o conjunto probatório." Os outros réus ou seus representantes não foram localizados ontem. / FAUSTO MACEDO

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