Defesa de Cavendish traça estratégia contra prisão

Advogados do executivo prepararam habeas corpus preventivo, puseram cliente à disposição da CPI e aconselharam-no a deixar direção da empresa

SERGIO TORRES / RIO , O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h09

O empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, envolvida em suspeitas de participação no esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi alertado por seus advogados sobre a possibilidade de vir a ter a prisão decretada se prosseguirem as denúncias contra a Delta em episódios de corrupção política e obras públicas suspeitas de superfaturamento.

Risco. Também profissionais da assessoria que cuida do setor de mídia da empreiteira já falaram com Cavendish sobre o risco. A análise feita é a de que o fato de a Delta estar na condição de ré em diversas ações espalhadas pelo País pode levar algum juiz a decidir pela prisão, sob a justificativa de que o empresário, na cadeia, não terá como atrapalhar as investigações.

Caso as acusações não cessem e surjam mais evidências de irregularidades, seus defensores poderão requerer habeas corpus preventivo à Justiça, a fim de proteger a pessoa contra alguma forma de constrangimento ilegal que esteja prestes a sofrer.

O escritório contratado por Cavendish é o Oliveira Lima, Hungria, Dall'Acqua & Furrier Advogados, na capital paulista. Entre os clientes do escritório estão o ex-deputado petista José Dirceu, no processo do mensalão; o banqueiro Daniel Dantas; o ex-banqueiro Salvatore Cacciola e o foragido Roger Abdelmassih, médico condenado a 278 anos de prisão sob a acusação de estuprar pacientes. Os contatos de Cavendish com o escritório têm sido mantidos por intermédio do advogado José Luis de Oliveira Lima, um dos seis sócios.

Oliveira Lima orientou Cavendish a anunciar publicamente a intenção de iniciar uma auditoria interna na empresa e de colaborar com as investigações policiais, do Ministério Público e da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Congresso.

Entrevistado ontem por telefone, Oliveira Lima disse que não considera a hipótese de o cliente vir a ser preso por ordem judicial. "De maneira nenhuma. O senhor Fernando não é investigado", afirmou ele, que esteve ontem em Brasília, onde encontrou-se com integrantes da CPI. "Fomos à CPI nos colocar à disposição para dar quaisquer esclarecimentos", acrescentou.

Conforme o advogado, a decisão de Cavendish de afastar-se do comando da empreiteira teve o objetivo de proporcionar autonomia absoluta aos responsáveis pela investigação interna. "A medida é para dar transparência à auditoria", disse.

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