'Decisões eram de comitê', diz advogado de Pizzolato

Defensor de ex-diretor afirma que dinheiro do fundo é privado e acusa Barbosa de ter 'passado longe' da fase processual

O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h03

O advogado Marthius Lobato, defensor do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, rechaçou a acusação a seu cliente e disse que o relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, "não analisou nenhuma prova da instrução processual, passou longe".

"A denúncia diz que o dinheiro é público, se baseou na versão de que o fundo Visanet era eminentemente público e nós fizemos prova de que é privado", afirma Lobato. "A prova da defesa foi construída para demonstrar especificamente que o dinheiro não era público. Ele (relator) vem e diz em seu voto que independente de ser público ou privado houve peculato. Houve alteração do libelo, nulidade processual gravíssima. Espero que os outros ministros reparem o erro."

Segundo a defesa, os quatro repasses - total de R$ 73,8 milhões - para a DNA, de Marcos Valério, não foram autorizados só por Pizzolato. "As notas técnicas que ele (relator) está citando são do inquérito policial e foram desconstruídas na instrução. Pizzolato não assinou sozinho. Provei pelas normas e estatuto do banco que as decisões eram tomadas em comitê."

Lobato disse que Pizzolato "não sabia" que em um envelope recebido por ele havia R$ 336 mil. Contou que o ex-diretor do BB entregou o pacote a "um emissário do PT, de quem não sabe o nome".

O advogado Marcelo Leonardo, defensor de Valério, declarou que o ministro "se reporta excessivamente à prova colhida fora do contraditório judicial." / FAUSTO MACEDO e FELIPE RECONDO

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