Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Decisão do TSE dá clareza ao processo eleitoral, dizem candidatos

Presidenciáveis alegam que incerteza sobre situação de Lula confundia eleitor

Marianna Holanda, O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2018 | 16h36
Atualizado 03 Setembro 2018 | 18h09

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de rejeitar o registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, na madrugada deste sábado, 1º, vai dar mais clareza à disputa nas eleições 2018, avaliaram os candidatos ao Palácio do Planalto. Na mesma sessão, o TSE determinou também que o PT substitua o nome do cabeça de chapa até o dia 11. O provável sucessor de Lula é o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, atual candidato a vice.

No cenário eleitoral sem o ex-presidente, o líder das pesquisas é o deputado federal do PSL Jair Bolsonaro. O capitão reformado aparece com 20% da preferência do eleitorado, seguido por Marina Silva (Rede), com 12%, e Ciro Gomes (PDT), com 9%, de acordo com a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada no dia 20 e registrada no TSE sob o protocolo BR-01665/2018. Os três primeiros colocados mais o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) aparecem com taxas de intenção de voto mais elevadas nos levantamentos sem Lula. 

No Ceará, onde cumpriu agenda de campanha neste sábado, Alckmin disse que o resultado do julgamento sobre o registro de Lula “clareou” o cenário eleitoral. “Vamos saber agora quem é o candidato”, afirmou. Seguindo o mesmo tom, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles (MDB) afirmou que acaba agora “essa confusão de alguém que se lança candidato, mas não é”. 

Outros dois candidatos, ambos ex-auxiliares do ex-presidente durante sua passagem pelo Planalto, também comentaram a decisão. Marina Silva divulgou nota na qual afirma que “agora temos os verdadeiros candidatos no pleito”. 

No Paraná, onde participou de uma caminhada no centro de Curitiba pela manhã, Ciro também falou em “clareza” do processo eleitoral após a decisão. Ele afirmou que há um trauma, mas o esclarecimento pelo TSE evita “um tumulto maior” às vésperas do primeiro turno, o que poderia ameaçar a democracia. “Ter o maior líder popular do País proibido de participar do processo eleitoral é um trauma”, disse Ciro. “No entanto, como em toda tragédia, há um lado bom. Eu estou triste, mas agora pelo menos temos mais clareza do processo eleitoral.” 

Críticas

Alvaro Dias (Podemos) comemorou a decisão do TSE, mas atacou Edson Fachin, único ministro que na sessão votou pelo deferimento da candidatura de Lula - o placar foi 6 a 1 pelo indeferimento. “Literalmente, pisou na bola, como se diz popularmente, sujou sua biografia.” 

O único a criticar integralmente a decisão final dos ministros do TSE foi Guilherme Boulos (PSOL). Em agenda de campanha em Diadema, na região do ABC Paulista, disse que o voto do relator, ministro Luís Roberto Barroso, contra Lula foi “escandaloso”. No Twitter, afirmou que o julgamento representa “mais um capítulo da desmoralização do Judiciário”. 

A deputada estadual Manuela D’Ávila, que deve herdar a vaga de vice de Haddad, disse pelas redes sociais que o TSE promoveu um “ultraje à democracia”.

Outros candidatos não se manifestaram sobre a decisão. / COLABORARAM VERA ROSA e KATNA BARAN

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