Decisão de ex-ministra provoca racha na Rede paulista

Integrantes da executiva estadual do grupo devem apresentar nesta segunda uma carta em que anunciam a renúncia de suas funções

Ricardo Della Coletta / BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

12 de outubro de 2014 | 21h51

A decisão de Marina Silva (PSB) de apoiar o candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, provocou um racha na executiva paulista da Rede Sustentabilidade, partido político que a ex-ministra tentou criar sem sucesso e que foi abrigado informalmente dentro do PSB. 

Em uma carta conjunta que deve ser apresentada nesta segunda, 13, integrantes da executiva estadual da Rede vão renunciar a suas funções. O número de desligamentos pode chegar a sete. Eles vão alegar que a decisão de Marina não representa a “nova política” e tampouco condiz com o discurso adotado durante o 1.º turno de que era preciso superar a polarização entre PT e PSDB. 

A ideia é que o movimento deflagre uma onda de manifestações semelhantes nos grupos regionais da Rede. Domingo, 12, sem citar Marina, militantes da Rede divulgaram um manifesto intitulado “A favor da nova política”. Nele, dizem que “constitui-se grave erro político a declaração de voto e a adesão à campanha de Aécio Neves” e que “nenhuma modificação formal no programa eleitoral de Aécio transformará a natureza de sua candidatura, que não se constitui de palavras, mas de atos de história concreta que indicam sua integração orgânica à desconstituição de direitos, aos ruralistas e ao capital financeiro”. 

De acordo com Valfredo Pires, que deixou executiva paulista da Rede depois que o grupo recomendou que seus seguidores optassem por votar branco, nulo ou em Aécio, há dentro da Rede um movimento expressivo pela neutralidade que foi “desrespeitado”. “Votar branco, nulo ou em Aécio não é neutralidade. É uma ofensa à inteligência das pessoas”, afirma. 

“Acreditamos que acompanhar qualquer um dos dois projetos não representa a essência da Rede”, acrescenta Emílio Franco Jr., coordenador de comunicação do grupo no Estado de São Paulo. Já Gerson Moura, da coordenação estadual de finanças da Rede, disse que respeita a decisão pessoal de Marina, mas não compactua com ela. “Nosso programa não defendia a redução da maioridade penal em qualquer aspecto.” 

O deputado Beto Albuquerque, vice de Marina na chapa derrotada do PSB, criticou domingo a postura do presidente interino do partido, Roberto Amaral, que decidiu declarar individualmente o apoio a Dilma Rousseff, contrariando a decisão majoritária do partido. “A rebeldia do Amaral não muda nossa convicção e tampouco mudará a nossa decisão.” Para o deputado, o presidente de um partido não pode ser um homem que “queira impor a sua vontade acima do bem maior”. / COLABOROU E.M.

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