Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Decisão de Ana Amélia muda cenário da eleição gaúcha e isola pré-candidato do PP

Luis Carlos Heinze perdeu coligação e pode concorrer ao Senado

Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2018 | 23h01

PORTO ALEGRE - A decisão de Ana Amélia Lemos (PP) de ser vice do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições 2018 mexeu com o cenário político gaúcho e isolou o pré-candidato ao governo Luis Carlos Heinze (PP). Com a escolha da senadora, partidos que compunham a aliança de Heinze anunciaram a saída da coligação. O PP ofereceu a Heinze candidatura ao Senado na chapa de Eduardo Leite (PSDB) em troca da desistência do pepista ao governo do Estado.

Em reunião na tarde desta sexta-feira, 3, os presidentes locais do DEM, PSL e PROS, únicos partidos coligados a Heinze, anunciaram que, caso ele não seja mesmo candidato ao governo, o grupo sairá da coligação. Segundo o presidente estadual do DEM, deputado federal Onyx Lorenzoni, a decisão se deu para manter um palanque a Jair Bolsonaro (PSL-RJ) no Estado, já que o pré-candidato do PP havia anunciado apoio ao presidenciável. Os partidos irão lançar a presidente estadual do PSL, Carmen Flores, ao Senado.

Ana Amélia não era a favor de apoio a Bolsonaro, e o próprio PP gaúcho classificou a decisão de Heinze de apoiar o presidenciável como “pessoal”. Por isso, Onyx Lorenzoni culpou a senadora pelo fim da coligação. “Ela tem o direito de escolher esse caminho, mas a senadora se dedicou a tentar destruir o palanque de Bolsonaro no Estado”, afirmou.

Lorenzoni afirmou que Heinze sofreu “uma mega pressão” do diretório nacional do PP e que isso reduziu o apoio à candidatura dele ao governo. “Ofereceram o céu para ele (Heinze) concorrer ao Senado na chapa do Leite. É aquele velho jogo político do Centrão”, afirmou.

Em nota divulgada na quinta-feira, 2, Luis Carlos Heinze disse ter sido “surpreendido” com a decisão de Ana Amélia e não confirmou sua desistência ao Palácio Piratini. “A princípio, está mantida a candidatura ao governo do estado do Rio Grande do Sul. No entanto, não é descartada qualquer possibilidade, inclusive de não concorrer a qualquer cargo eletivo no pleito deste ano”, informou. A reportagem procurou Heinze mas não obteve retorno.

Caso ele desista da candidatura ao governo do Estado e concorra ao Senado na chapa do PSDB, o tucano Eduardo Leite é quem sai ganhando na corrida ao Piratini. O PP é um dos maiores partidos do Rio Grande do Sul, com grande representação no interior – comandando 142 municípios – e com sete deputados estaduais. Concorrendo ao governo pela primeira vez, Leite também ganhará importantes minutos de tempo de TV.

Favorita à reeleição, a saída de Ana Amélia também beneficia postulantes ao Senado. O candidato Beto Albuquerque (PSB) está coligado ao MDB do governador José Ivo Sartori e pode herdar votos de eleitores mais moderados. Ele, até a decisão da senadora, não estava entre os dois mais lembrados pelos gaúchos. Da mesma forma, Carmen Flores tentará buscar o eleitorado “mais à direita”, como disse na reunião na sexta-feira. Ao lado de Ana Amélia, o outro favorito é o senador Paulo Paim (PT).

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