Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2013 | 02h10

As violências ocorreram há décadas. Nunca, porém, as vítimas de torturas na ditadura militar haviam encontrado tanto estímulo e audiência para o relato de seus sofrimentos quanto agora.

A explicação para isso encontra-se na Comissão Nacional da Verdade, instalada há um ano, com a tarefa de esclarecer fatos daquele período, e nas comissões similares a ela que passaram a se multiplicar pelo País. Os emocionados relatos de Dulce Pandolfi e de Lúcia Murat, no Rio, são mais uma demonstração desse momento da vida brasileira.

Outro exemplo dramático do confronto com o passado ocorreu na semana passada, durante o seminário Verdades que a Ditadura Escondeu, na Pontifícia Universidade Católica do Rio. Ao final das exposições dos convidados, Maria Helena Gomes de Souza, viúva do médico Amilcar Lobo, que trabalhou para o DOI-Codi do Rio, pediu a palavra.

Para defender a memória do marido, lembrou que era recém-formado, com três filhos: "Entendo que foi omisso, mas não aceito carregar a culpa de ter sido o único torturador desse país".

A jornalista e ex-presa política Suely Caldas, uma das organizadoras do debate, ouviu e também pediu a palavra. Dirigindo-se à viúva, disse: "Eu estava na Polícia do Exército e fui atendida pelo Amilcar Lobo. Eu tinha acabado de ter filho quando fui presa e estava amamentando. Meu seio estava cheio de leite. Ele foi chamado para me atender e me deu uma injeção para secar meu seio, para eu não amamentar o bebê, ao meu lado. Essa foi a participação do Amilcar Lobo que eu vi, da qual fui testemunha".

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