Lucas Vila/PSOL
Lucas Vila/PSOL

‘Debate se constrói na diversidade’, diz 1ª vereadora trans e mais votada de BH

Duda Salabert alcançou 37.613 votos, recorde em disputas pela Câmara Municipal na cidade

Leonardo Augusto, especial para o 'Estadão'

16 de novembro de 2020 | 19h38

BELO HORIZONTE – Um nome apareceu em primeiro lugar no sistema de divulgação de votos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao longo de todas as parciais de apuração da eleição 2020 no domingo na capital mineira: Duda Salabert (PDT). Em meio a outros 1.558 candidatos disputando as 41 vagas de vereador na cidade, em momento algum a candidata deixou de ocupar a primeira posição. Duda, ao final, contabilizou 37.613 votos, a maior votação já alcançada em Belo Horizonte em corridas pela Câmara Municipal.

“A cidade já conhece meu trabalho. Sou professora há mais de 20 anos. Há doze leciono no Colégio Bernoulli, um dos melhores do país, atuo nas causas ambientais, sou vegana e presidente da ONG Transvest”, conta. A ONG atua na proteção e acolhimento a travestis e transexuais e oferece, por exemplo, cursinhos pré-vestibular.

Duda é professora de literatura, tem 38 anos e é a transexual mais votada do País, marca alcançada em 2018, quando disputou vaga no Senado e teve 351.874 votos. À época era filiada ao PSOL. É casada e tem uma filha de um ano e meio. A vereadora eleita tem consciência do trabalho que desempenha, e de como isso contribuiu para sua eleição. “Nossa vitória ocorreu antes da eleição. As pessoas me conhecem”, declara a primeira vereadora trans de Belo Horizonte, que espera encontrar um ambiente de debate na Câmara dos Vereadores. “Todos são bem vindos. Centro, direita. O que não podemos tolerar é desrespeito aos direitos humanos. Debate se constrói na diversidade”, aponta.

Duda fez uma campanha pouco comum. Não distribuiu santinhos nem panfletos. Pelas redes sociais, pediu a eleitores que, como forma de apoio, colocassem o nome da candidata nas redes de wi-fi, como forma de espalhar seu nome pelos vizinhos. Carreata, odeia. “Se eu fosse deputada federal criaria uma lei para que todos os veículos que participassem de carreatas fossem colocados para serviços à comunidade. É algo que só atrapalha a vida das pessoas. Só políticos gostam”, protestou.

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