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Debate no Paraná é marcado por ataques a Ratinho e menções a Beto Richa

Principais adversários do primeiro colocado nas pesquisas aproveitaram o penúltimo debate para tentar levar a eleição no primeiro turno

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2018 | 00h27

Numa tentativa de tentar levar a eleição para o segundo turno no Estado, os principais candidatos ao governo do Paraná que participaram do debate desta sexta-feira, 28, na RICTV-Record, tiveram como alvo preferencial de ataque o líder nas pesquisas, Ratinho Junior (PSD), usando principalmente a ligação dele com o ex-governador Beto Richa (PSDB), de quem foi secretário na última gestão. O tucano chegou a ficar preso durante quatro dias neste mês por acusações de desvios supostamente praticados em um de seus programas de governo.

Além de atacar Ratinho, dizendo, por exemplo, que o adversário “não entende nada de educação”, João Arruda (MDB) tentou colar a imagem de Cida Borghetti (PP), que foi vice de Richa, à do antecessor. “A senhora foi vice do Beto Richa, assim como o Ratinho foi secretário dele, e agora tenta esconder essa relação”, disse. Ele citou que, após a citação do tucano em investigações, ambos tentam fugir do ex-governador e “jogá-lo no rio”. Terceiro lugar nas pesquisas, o emedebista tenta tirar da governadora a possível vaga no segundo turno.

Em contrapartida, Cida citou que não fez parte do secretariado do tucano enquanto vice, numa alusão a Ratinho, e afirmou que, desde que assumiu, “varreu a corrupção para fora” do governo. “O meu governo não compactua com qualquer indício de corrupção. Se houver qualquer suspeição sobre qualquer agente público, a exoneração é imediata", disse.

Ela também aproveitou o debate para atacar o principal oponente, questionando Ratinho sobre algumas de suas propostas, como a de vender um imóvel que ele diz ser do Estado, mas que, na verdade, pertence à União. Ela também perguntou quais secretarias de governo o adversário pretende extinguir, segundo previsto no plano de governo dele. Ratinho reafirmou que vai cortar 50% das pastas, mas não detalhou quais serão eliminadas.

Usando tom irônico, Piva (PSOL) também aproveitou o debate para atacar os candidatos mais bem colocados nas pesquisas. Lembrando o termo mencionado por Beto Richa em áudio que consta da operação que prendeu o ex-governador, Piva perguntou a Ratinho quanto ele levou do “tico tico”, que, segundo o Ministério Público, seria uma referência a propina. “Você parece que dormiu com o Mazzaropi”, respondeu o adversário.

O candidato do PSOL também relembrou um vídeo de quatro anos atrás em que Ratinho disse que teria uma “fidelidade canina” ao então governador Beto Richa. Em outro momento, Piva comparou o adversário do PSD ao jogador de futebol Neymar, que “vive pulando” e desviando das respostas. Ao se direcionar a Cida, ele questionou o discurso de renovação da candidata, lembrando que ela faz parte de um grupo político que há décadas governa o Paraná.

Até mesmo Dr. Rosinha (PT), que usou um tom mais ameno, aproveitou para citar o embate nacional entre os presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) para atacar os adversários. Lembrando o ataque a tiros contra colegas por um aluno, ocorrido nesta sexta-feira numa escola em Medianeira, interior do Estado, Rosinha combateu o que chamou de “discurso de violência” de Bolsonaro e citou que Ratinho é apoiado pelo presidenciável. Ele chegou a convidar Cida a participar do movimento “#elenão”, contra o candidato do PSL.

Ao responder aos ataques, Ratinho enfatizou diversas vezes que os adversários usam estratégias que fazem parte da “velha política” e se apresentou como o novo. “Não sou filho da política, mas sim do trabalho”, repetiu. O candidato assumiu que fez parte do secretariado de Richa, mas negou que tinha poderes sobre a gestão de outras pastas do antigo governo e afirmou que, enquanto ocupou a Secretaria de governo, nunca foi alvo de investigações.

“O governo do Estado não pode continuar sendo um patrimônio familiar. Queremos ter a oportunidade de fazer um novo modelo de gestão, acabar com mordomias e tratar os recursos do governo de forma respeitosa, assim como fiz quando era secretário”, disse.

Ogier Buchi (PSL) também participaria do debate na RIC, mas acabou barrado pela emissora, que, cerca de uma hora antes do programa, recebeu uma decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) impedindo que o candidato continue a campanha. Ele teve a candidatura impugnada pelo TRE, por solicitação da própria coligação, que desistiu de concorrer ao governo, mas ainda tenta recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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