Debate é um jogo de desgastar oponente

Cláudio Couto, cientista político

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h40

Aconteceu um empate no desempenho de ambos os candidatos. Tanto Fernando Haddad quanto José Serra colocaram questões relevantes e responderam de forma satisfatória a seus eleitores. Não acredito que esse debate sirva para mudar as intenções de voto e reverter o quadro indicado pelas pesquisas, desfavorável ao tucano.

As discussões de propostas ocorreram em um nível menor do que as explanações sobre realizações ou não realizações de governos anteriores. Tanto Haddad quanto Serra dispensaram muito tempo para uma retrospectiva do que seus partidos fizeram, intercalada de intenções de ações para a cidade. É uma maneira clara de dizer que querem seguir o que vem sendo feito até agora, ou retomar medidas anteriores.

Houve momentos de agressividade, mas tudo dentro de um grau aceitável de civilidade. As críticas e ironias usadas pelos candidatos são do jogo. Não é como em propaganda de televisão ou de rádio, em que a pancadaria contra o oponente corre solta, embora sempre com um apresentador que faz as críticas.

É sempre bom lembrar, contudo, que debate é muito mais um jogo de desgaste do oponente do que qualquer outra coisa. E para isso, ataques, menções a situações desconfortáveis de cada lado e citações do passado são válidas e servem de espelho para o que querem fazer.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.