Debate cancelado opõe Record e Serra

Emissora desmarca programa e troca acusações com tucano; Haddad também ataca Russomanno, filiado a partido ligado à Universal

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h06

O cancelamento do debate da TV Record com os candidatos à Prefeitura de São Paulo, que estava agendado para segunda-feira, abriu um confronto entre Celso Russomanno (PRB) e seus principais adversários na disputa. José Serra (PSDB) acusa a emissora de proteger o candidato do PRB e Fernando Haddad (PT) diz que Russomanno desrespeita os eleitores ao se recusar a participar de encontros com rivais.

Em nota divulgada ontem, a Record informou que Russomanno não poderia comparecer porque "na mesma data, por previsão médica, deve nascer o seu filho". Também disse que "os responsáveis pela campanha de José Serra não responderam aos convites para a negociação de regras e acordos do debate".

O tucano negou a informação e insinuou que o verdadeiro objetivo da emissora ao cancelar o debate era evitar a exposição do candidato do PRB, que lidera as pesquisas de intenção de voto e se tornou alvo de ataques dos adversários nas últimas semanas.

O PRB é controlado por ex-dirigentes da Record e membros da Igreja Universal, proprietária da emissora. O presidente do partido e coordenador da campanha de Russomanno, Marcos Pereira, já presidiu a emissora e é bispo licenciado da igreja.

"Eles (TV Record) estão querendo defender o Russomanno, que não quer debater, então estão inventando isso. Não houve negativa. A Record cancelou o debate para proteger o Russomanno", afirmou Serra.

Em conversas reservadas nos últimos meses, integrantes da equipe tucana criticavam a conduta da Record na cobertura eleitoral e ameaçavam não participar do debate. Em julho, Serra faltou a uma sabatina do portal R7, mantido pela emissora.

Haddad também atacou Russomanno e lembrou que não se trata do primeiro debate ao qual o líder nas pesquisas se nega a comparecer. O candidato do PRB já havia faltado aos encontros organizados pelo jornal Folha de S. Paulo e portal UOL e pela Arquidiocese de São Paulo.

Para o petista, a justificativa apresentada por Russomanno de que o nascimento da filha ocorrerá no dia do debate não é suficiente. Na nota, Haddad afirmou que a data poderia ter sido modificada em negociação com as demais campanhas para acomodar a agenda do líder nas pesquisas.

"Achei muito ruim para a cidade. Se há da parte dele (Russomanno) um impedimento, que ele já conhecia há muitas semanas, sabia da coincidência de datas, vamos tentar adiar um dia. Tenho certeza de que a Record toparia", disse, após caminhada em Santana, na zona norte.

Haddad também alfinetou Serra, que, segundo a Record, não teria confirmado presença. "(O debate) seria oportuno para ambas as candidaturas, já que os dois candidatos não apresentaram programas detalhados ou metas de governo para São Paulo."

Um documento protocolado pela Record na Justiça Eleitoral em 17 de setembro registrou as regras com as assinaturas de representantes de seis das oito campanhas - incluindo a equipe de Russomanno, mas sem o aval de Serra e de Levy Fidelix (PRTB). Segundo a legislação, debates na TV precisam ser aprovados por dois terços dos candidatos de partidos com representação na Câmara dos Deputados.

A equipe de Serra rebateu as declarações da Record: disse que não participou de reuniões, mas que conversou anteontem com representantes da emissora sobre as regras e não expôs objeções ao formato do programa.

"A campanha do PSDB jamais disse que não participaria do debate da Record. Quem afirma o contrário está mentindo", disse o coordenador de Imprensa de Serra, Fábio Portela. Segundo ele, o tucano participará de um novo debate, caso a Record remarque o encontro e mantenha as regras estabelecidas até agora. / BRUNO BOGHOSSIAN, BRUNO LUPION, FELIPE FRAZÃO e PEDRO DA ROCHA

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