De partido de bases a um partido da ordem

O PT nasceu prometendo ampla participação dos seus filiados no processo de decisão interna. Ele começou assim. A decisão de não participar da eleição indireta, que fez de Tancredo Neves presidente da República, teve origem num veto da base partidária, contra a vontade de grande parte dos parlamentares petistas.

ANÁLISE: Rudá Ricci, cientista político da UFMG e diretor-geral do Instituto Cultiva, em Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2013 | 02h10

A eleição interna desta semana revela profundas mudanças. A participação direta de Lula e medalhões do partido na convocação de eleitores filiados; a direção quase exclusivamente nas mãos de políticos profissionais; o índice de abstenção, que no Rio de Janeiro foi muito superior a 50%; e as críticas generalizadas de dirigentes sobre um processo desgastante, fratricida e pouco participativo indicam que o partido da participação direta vem se transmutando em partido da ordem. Mais um partido governista.

A legenda que foi baseada nos chamados núcleos de base hoje tem na sua presidência um parlamentar que consegue se reeleger com 70% dos votos, o que demonstra um grande desequilíbrio interno. Cabe destacar que Rui Falcão nunca foi o dirigente mais popular no interior do PT.

Mesmo assim, como parte de uma corrente majoritária, tendo o apadrinhamento dos principais líderes, consegue essa vitória acachapante. O partido da democracia interna se tornou um partido previsível em que a alternância do poder é cada vez mais questionada pelo próprio processo de escolha de seus dirigentes.

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