De olho na reforma, PR negocia apoio a Haddad em São Paulo

Nos Transportes partido não se vê representado e costura acordo em torno do pré-candidato por espaço na Esplanada

ANDREA JUBÉ VIANNA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2011 | 03h04

O PR quer aproveitar a montagem do palanque do ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato a prefeito de São Paulo, para voltar de vez à Esplanada. O partido encolheu depois que perdeu o Ministério dos Transportes, com a degola do senador e presidente da sigla, Alfredo Nascimento (AM), alvo de denúncias de corrupção.

O sucessor, Paulo Sérgio Passos, até estampa a carteirinha de filiado ao PR, mas os líderes da legenda não reconhecem sua paternidade por o considerarem cota pessoal da presidente Dilma.

Se frustrada a sonhada aliança com o PMDB, o PR do réu do mensalão Valdemar Costa Neto (SP) pode emergir como o principal aliado do PT na corrida para a Prefeitura de São Paulo, com o passe valorizado.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula nos bastidores a retirada da pré-candidatura do deputado Gabriel Chalita (PMDB), que poderia ganhar um ministério ou o cargo de vice na chapa encabeçada por Haddad.

O PMDB, porém, mostra-se disposto a bancar o nome de Chalita, até para recuperar espaço perdido com o falecimento do ex-governador Orestes Quércia, cardeal da legenda no Estado.

Nesse cenário, uma aliança com o PR pode garantir pelo menos três minutos de tempo de televisão para Haddad.

A repetição em São Paulo da aliança que garantiu o primeiro mandato presidencial de Lula, em 2002 - antes do PRB, o vice José Alencar era filiado ao PR -, está sendo costurada pelos artífices de uma década atrás: o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o secretário-geral da sigla, Valdemar, e o próprio Lula. "A aliança com o PT é o caminho natural do PR", admite o líder do partido na Câmara, Lincoln Portela (MG), ressaltando que a decisão compete ao diretório estadual.

Outro componente para a aliança é o suplente da senadora Marta Suplicy (PT-SP), Antônio Carlos Rodrigues, do PR, que também quer o acordo. Na prática, entretanto, cabe a Valdemar, que comanda com mão de ferro as comissões provisórias da legenda. O PR não tem diretórios estaduais constituídos, permitindo a Valdemar destituir a qualquer momento os dirigentes que, eventualmente, confrontarem suas decisões.

Em meio às articulações, o preço do PR pode sair alto para a imagem da presidente Dilma: a meta é voltar ao comando de fato da pasta dos Transportes, tendo como pré-candidatos a ministros os deputados Luciano Castro (RR) e Milton Monti (SP). Lincoln Portela nega essas movimentações, afirmando que o PR "saiu, mas não saiu do governo", porque preservou cargos no Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit).

Defecções. Seis meses após o escândalo que alijou Alfredo Nascimento da pasta, o PR perdeu seis deputados federais, sendo quatro para o PSD e dois para o PMDB. Também perdeu o senador Clésio Andrade (MG), que se mudou para o PMDB após entrar em confronto direto com Valdemar. Clésio aguarda decisão final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para formalizar a filiação ao PMDB.

Mas Lincoln Portela minimiza as perdas, lembrando que o PSD formou uma bancada de 55 deputados, roubando quadros não apenas do PR. "Ficamos na média geral", afirmou.

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