De novo, protesto impõe longas filas em Cumbica

Filas intermináveis, irritação e incerteza entre passageiros, voos atrasados: esse foi o resultado, ontem, no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), da Operação Blackout - iniciada pela Polícia Federal em todo o País e que consistiu numa operação-padrão com fiscalização minuciosa, que tornou tudo mais demorado.

CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h02

Antes que a Justiça, em Brasília, decidisse barrar o movimento no início da noite, os policiais programavam repetir a ação na próxima segunda-feira e, na terça, levá-la ao aeroporto de Congonhas.

A confusão de Cumbica também ocorreu, com maior ou menor intensidade, em pelo menos outros dez aeroportos do País - entre eles Curitiba, Porto Alegre, Manaus e Recife. No aeroporto Afonso Pena, de Curitiba, 11 voos foram cancelados e outros 27 (de um total de 44) saíram com grande atraso. No Rio, uma assembleia dos policiais federais decidiu estender o movimento até dia 22. No Recife, foi anunciado "atendimento zero" para estrangeiros. Em Fortaleza, a PF inspecionou todos os passageiros no aeroporto Silva Pinto.

Segundo o presidente do sindicato da PF em São Paulo, Alexandre Sally, 450 policiais foram escalados para trabalhar ontem em Cumbica - quase quatro vezes mais do que o normal. "O que queremos é aumento do efetivo e reestruturação salarial. Somos uma categoria de nível superior com salário de ensino médio", justificou. O salário inicial na PF hoje é de R$ 7.700. Eles pedem R$ 12 mil.

O resultado foram 15 atrasos entre meia-noite da quarta-feira e 15 horas de ontem - mas o congestionamento na área de check-in, enorme o tempo todo, só se reduziu depois de 21 horas de ontem. "O governo não bota o dinheiro onde tem que botar e nós que ficamos na fila", disse o representante comercial Cláudio Schell, 47 anos, que ia para Milão. "Estamos de férias e já estamos estressados", reclamou a advogada Roberta Castro, 32 anos, com passagem para o Chile.

Nas estradas. A primeira greve da história da Polícia Rodoviária Federal, ontem, causou transtornos na saída de Curitiba, na BR-116, onde as filas chegaram a 14 quilômetros já de manhã. Outros congestionamentos, de até 6 km, também tomaram a BR-376. No Rio Grande do Sul, a fila de carros na BR-290, perto de Gravataí, se estendeu por vários quilômetros até o início da tarde.

Em Brasília, a agitação maior foi provocada pelos professores das universidades federais, que fizeram manifestação com cruzes pedindo pressa nas negociações com o governo federal.

Crise na saúde. No Rio, a greve da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária está causando desabastecimento de materiais e um prejuízo, ao longo de um mês, calculado em R$ 300 milhões, segundo Paulo Henrique Fraccaro, da categoria dos fornecedores de equipamentos médicos. "E o movimento pode desencadear um sério problema de saúde", advertiu a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas. O setor depende da importação de insumos - que estão retidos em portos e aeroportos - e o estoque em laboratórios e hospitais pode acabar em duas semanas. "Isso é um problema que já está criado", avisou Irineu Grinberg, presidente da SBAC. / COLABORARAM JULIO CESAR LIMA, ANGELA LACERDA, HELOISA ARUTH STURM, ELDER OGLIARI, TIAGO DÉCIMO e LAURIBERTO BRAGA

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