Jose Patricio/Estadão
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Davos quer saber planos de Marina para economia, diz fundador do fórum

Klaus Schwab, que virá em dezembro ao País para convidar presidente eleito para participar do fórum, diz ter interesse especial em ouvir estratégias da atual candidata

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2014 | 16h02

GENEBRA - O presidente e fundador do Fórum Econômico Mundial de Davos, Klaus Schwab, virá em dezembro ao Brasil para convidar o futuro presidente eleito a participar do Fórum Econômico Mundial de janeiro de 2015. Davos tem interesse especial em ouvir Marina Silva, candidata pelo PSB, se eleita, sobre os planos para o Brasil. Schwab diz que a comunidade empresarial mais poderosa do mundo espera uma menor intervenção do Estado na economia e medidas para tirar o Brasil de uma taxa de crescimento baixa e cita como exemplo o México.

As declarações são de Klaus Schwab, presidente e fundador do Fórum Econômico Mundial de Davos, entidade que reúne todos os anos as maiores empresas do planeta na Suíça e que se transformou em uma referência da voz do setor privado internacional. Davos ocorre três semanas depois da posse no Brasil, em janeiro, e seria o primeiro palco internacional de um novo presidente ou de Dilma Rousseff, se for reeleita.

Schwab quer que Marina, se eleita, use a plataforma em Davos para "explicar" suas políticas e estratégias. "Davos é a plataforma para qualquer presidente explicar o que ele ou ela - nesse caso ela - tem em mente", disse.

Após ser lançada candidata pelo PSB no lugar do ex-governador Eduardo Campos, a ex-ministra do Meio Ambiente passou a despontas nas pesquisas de intenção de voto. De acordo com o levantamento feito pelo Ibope nesta terça, 26, Marina abriu dez pontos porcentuais à frente do candidato Aécio Neves (PSDB) e venceria Dilma em um eventual segundo turno.

Diante das projeções brasileiras de uma taxa de expansão de 1%, Schwab afirmou que o nível é insuficiente. "Se o Brasil quiser continuar a ser grande modelo de como tirar pessoas da pobreza, só pode fazer isso com o crescimento da economia, o que deve ser mais de 1%", declarou. "Temos de levar em conta o crescimento nominal, o que é crescimento da população. Portanto, definitivamente 1% não é suficiente", disse.

Schwab admite que o problema de baixas taxas de crescimento não são exclusivas ao Brasil. "É um problema de todo o mundo que não temos crescimento suficiente", disse.

Intervenção. Davos, porém, deixa claro que quer ver um Estado brasileiro menos intervencionista na economia. "Nós temos como fato que governos estão reduzindo sua própria intervenção na economia. Claro, boa governança se concentra em boas leis e boa regulamentação. Mas não necessariamente em controle na economia", disse.

Para Davos, o modelo é o México que, com o governo de Enrique Peña Neto, adotou uma política liberalizante. Schwab admite que o convite também será feito a qualquer outro candidato que vença as eleições. "Somos imparciais e qualquer um que ganhe no Brasil para presidente eu estarei no inicio de dezembro no Brasil para convidá-lo. O único propósito da viagem é a de convidar o próximo presidente pessoalmente", declarou. "A participação brasileira (em Davos) é muito importante", disse.

Por anos, Schwab contou com participações regulares do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas foi esnobado pela presidente Dilma Rousseff, que apenas aceitou o convite para Davos em janeiro deste ano.

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