Theo Marques/Estadão/Divulgação
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Dallagnol defende que eleitor não vote em envolvidos em delações ou inquéritos

O coordenador da Lava Jato no MPF esteve no Recife divulgando a campanha 'Unidos contra a corrupção'

Kleber Nunes, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 18h44

RECIFE – O procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, defendeu nesta segunda-feira, 27, em passagem pelo Recife, que o eleitor não vote em políticos implicados em investigações de corrupção. Para o representante do Ministério Público Federal, o órgão e a Justiça têm feito cada um o seu “melhor” sobretudo no âmbito da operação, mas é preciso que a população brasileira faça sua parte nas eleições 2018.

Para Dallagnol, os eleitores precisam levar em conta o passado dos concorrentes a cargos eletivos. “Eu não focaria em casos específicos de um governador, mas de uma maneira geral se nós queremos ter uma postura firme contra a corrupção precisamos selecionar entre o rol de candidatos que têm o passado limpo e não o passado sujo. Nós vemos que mais de 90% da população manifesta apoio a Lava Jato, querem que (a operação) vá até o final, mas sozinhos não vamos conseguir, precisamos do eleitor”, afirmou.

Dallagnol passou o dia em Pernambuco divulgando a campanha “Unidos contra a corrupção” que é coordenada por uma coalizão de organizações e movimentos apartidários. Por meio do movimento, foram elaboradas 70 novas medidas contra a corrupção como, por exemplo, aumentar o tempo para a prescrição de crimes ligados à administração pública e restringir o foro privilegiado.

Neste ano, a campanha enfatiza o voto e tenta convencer candidatos para que conheçam e se comprometam com as propostas antes e depois do pleito. A iniciativa é um aperfeiçoamento do pacote de dez medidas contra a corrupção, criado pela força-tarefa da Lava Jato em 2015, e que recebeu apoio de mais de dois milhões de pessoas.

“Quando olho para o futuro eu tenho uma grande preocupação que a gente repita o destino da operação 'Mãos Limpas' (deflagrada em 1992) na Itália. Lá dois anos depois houve uma campanha desmoralizadora contra a operação que baixou o apoio da população italiana e depois foram aprovadas leis que não são contra a corrupção. Isso me lembra o presidente Temer que ano passado tentou dar um indulto de natal que perdoava 80% da pena de (condenados por) corrupção”, disse.

O procurador afirmou que não “demoniza a política”, apenas defende que haja uma “sociedade civil mais forte e um Estado mais fraco”. “Aquela história que a Lava Jato tem heróis é falsa, quando a gente pensa em heróis as pessoas se colocam como espectadores, se existe herói é a sociedade brasileira”, declarou.

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