Dados sugerem que dinheiro da Delta serviu para pagar casa

Datas de repasse de verba de empresa de fachada do esquema Cachoeira coincidem com depósitos de Perillo

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h06

Sigilos bancários obtidos pela CPI do Cachoeira reforçam a estreita relação entre o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com a operação envolvendo a venda da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Os dados revelam a sincronia financeira entre a Alberto e Pantoja Construções, empresa de fachada usada para movimentar o dinheiro da Delta Construções Ltda., e a Excitante Indústria e Confecções, que emitiu os cheques para o pagamento do imóvel de Perillo.

O tucano entregou ontem à CPI cópia dos cheques que recebeu pela venda da casa e do extrato bancário confirmando o depósito. Os documentos indicam que a casa foi paga com três cheques: dois de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil. O primeiro foi depositado em 2 de março de 2011. O segundo em 4 de abril do mesmo ano. Na mesma data em que o cheque de R$ 500 mil é depositado na conta do governador, a Excitante recebeu R$ 250 mil da Alberto e Pantoja.

Já a última parcela da venda do imóvel, no valor de R$ 400 mil, foi depositada em 2 de maio daquele ano. Os dados mostram que naquele dia a conta da Alberto e Pantoja foi beneficiária de uma transferência no valor de R$ 709 mil. Laudos da Polícia Federal apontam que a empresa era abastecida exclusivamente com recursos da Delta Construções.

A Excitante, razão social da Babioli, é uma confecção de roupas infanto-juvenil com sede em Anápolis (GO), terra de Cachoeira. Segundo a PF, a Babioli está registrada em nome dos empresários José Vieira Gomide Júnior e Rosane Aparecida Puglise da Costa. Os dois são citados no inquérito da Monte Carlo e também em conversas da quadrilha de Cachoeira na Operação Vegas.

Fachada. "Fica claro que quem pagou a casa foi a Delta. A Alberto e Pantoja só existe para receber dinheiro da Delta", sustenta o senador Randoplhe Rodrigues (PSOL-AP), que defendeu a quebra do sigilo da Excitante pela CPI. "Esses dados comprovam a relação da Delta com Carlos Cachoeira", defendeu.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) também disse que iria apresentar requerimento para quebrar o sigilo bancário da Excitante. Segundo o petista, a empresa tem entre seus sócios Leonardo Ramos, sobrinho de Cachoeira. Em depoimento à CPI, o delegado da PF Matheus Mella Rodrigues afirmou que os cheques que pagaram a casa do governador foram emitidos pelo sobrinho do contraventor.

Durante o depoimento, o governador Marconi Perillo voltou a dizer que não tinha conhecimento da origem dos cheques e se defendeu: "Sinceramente, não sei quem assinou os cheques". O tucano também negou ter feito um contrato de gaveta para a venda do imóvel.

"Nunca vi alguém em tamanha fria por vender uma casa. Qual a relação do Cachoeira com a compra da sua casa?", questionou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). "Essa casa foi comprada pelo Cachoeira e mascarada nessa operação toda," completou o parlamentar.

Perillo manteve a versão de que não vendeu o imóvel para Carlinhos Cachoeira, a quem ele se referiu durante todo o depoimento como empresário. "Quem me procurou foi o Wladimir Garcez, que disse que tinha tomado um empréstimo de seus chefes e depois a casa foi transferida para o sr. Walter Paulo."

O governador chegou a dizer que estava "arrependido" de ter vendido a casa. Cachoeira foi preso no imóvel vendido por Perillo. / A.R., E.L. e F.F.

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