Dados da investigação serão usados em inquérito da Siemens

Justiça autoriza repasse de informações do caso Alstom pedido pela PF, apesar de parecer contrário de procurador

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2013 | 02h03

A Polícia Federal em São Paulo pediu autorização para incluir no inquérito sobre a Siemens as provas colhidas durante as investigações do caso Alstom, mas o procurador da República Rodrigo de Grandis se manifestou contra o compartilhamento. Ele alegou que a medida não era pertinente.

Apesar do parecer contrário do procurador, a Justiça Federal manteve a autorização de deslocamento de todos os documentos do inquérito sobre fraudes em licitações de estatais do governo de São Paulo envolvendo a Alstom, entre 1998 e 2003, para a investigação aberta em julho no caso Siemens, a partir do acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A manifestação do procurador foi provavelmente sua última participação no caso Alstom - inquérito 222, aberto pela PF em 2008, que culminou com o indiciamento de 11 investigados, inclusive políticos do PSDB.

O inquérito 222 foi relatado pelo delegado Milton Fornazzari Junior em agosto de 2012, mas ficou parado na Procuradoria em São Paulo até setembro passado, quando fonte do Ministério da Justiça revelou que a PF havia formalizado o enquadramento criminal de tucanos. Com a repercussão sobre o indiciamento, Rodrigo de Grandis devolveu os autos à PF com solicitação de algumas providências, como quebra de sigilo dos investigados, para saber se têm contas no exterior, e novos depoimentos.

Fornazzari cumpriu as novas medidas e já mandou o inquérito de volta à Procuradoria.

A retomada da investigação, solicitada inicialmente em fevereiro de 2011 pelo Ministério Público da Suíça, foi decretada a partir de relatório encaminhado à Coordenação da Secretaria de Cooperação Jurídica Internacional do Ministério Público Federal (MPF), em Brasília.

Danos. O documento alerta para o "prejuízo" que teria sido causado às investigações pela demora de Grandis em executar as medidas pleiteadas pelos procuradores de Genebra. Aponta para "danos irreversíveis" à investigação.

A PF considera que, a essa altura, algumas diligências requeridas pela Suíça são completamente desnecessárias, como busca e apreensão na residência do engenheiro João Roberto Zaniboni, ex-diretor de operações e manutenção da CPTM.

Na avaliação dos investigadores, já houve tempo suficiente para que dinheiro de corrupção fosse "lavado pelo menos umas cinco vezes", o que dificultaria ao máximo o rastreamento de recursos ilícitos. Eles alertam que provas contra os alvos do inquérito já desapareceram.

Os investigadores dizem que, do pedido de cooperação dos procuradores da Suíça, resta apenas o depoimento de Zaniboni, do consultor Arthur Teixeira e de outros personagens do caso Alstom. Outra medida em estudo é o pedido de quebra do sigilo bancário do ex-diretor da CPTM e de Teixeira.

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