Da cadeia, Eduardo Cunha divulga carta pedindo voto à filha

Danielle Cunha disputa uma vaga de deputada federal; além de elogiar a filha, Cunha diz que passa um calvário por ter tirado PT do poder

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2018 | 18h34

O ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ), que está preso em um complexo médico penal na região metropolitana de Curitiba (PR), divulgou nesta segunda-feira uma carta em que pede votos à filha, Danielle Cunha, que tenta uma vaga na Câmara nas eleições 2018.

"Peço com muita súplica o seu voto, como se fosse em mim. Ela, além de ter herdado a minha fé, é mais preparada do que eu e tem os mesmos compromissos de defender as nossas bandeiras e combater o aborto", diz Cunha no texto, que foi divulgado pelas redes sociais do candidato. Danielle disputa o cargo pelo mesmo partido do pai.

No documento, Cunha volta a dizer que passa um calvário "por ter sido o responsável pelo impeachment da Dilma (Rousseff) e a retirada do PT do Governo" e relembra sua atuação parlamentar em defesa de causas conservadoras e de interesses ligados a grupos evangélicos, como a renovação da concessão da Rádio Melodia, no Rio de Janeiro.

Cunha também dispara contra um antigo aliado, o deputado estadual Fabio Silva (MDB). O parlamentar é filho de Francisco Silva, falecido no ano passado e considerado o padrinho político de Cunha. "Apesar da ingratidão, oro a DEUS para que continue abençoando Fabio Silva, filho de Francisco Silva, e que ele possa se reeleger deputado estadual. Certamente ele vai lhe enviar uma carta pedindo voto para outro deputado federal, que deve estar financiando a sua campanha, o que eu não poderia fazer pela minha situação atual."

O ex-deputado mantém nos seus perfis nas redes sociais fotos de campanha da filha com seu número para voto. Algumas das imagens contém fotos do próprio Eduardo Cunha ao lado da filha.

Cunha está preso desde 2016, condenado a 15 anos e 4 meses de prisão por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e evasão de divisas. Após apelação, em novembro de 2017, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) reduziu a pena do ex-deputado para 14 anos e 6 meses. 

 

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