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D. Odilo critica em debate uso de igreja como 'curral'

Cardeal ataca 'manipulação da religião com fins políticos' em evento sem presença de Russomanno, que queria reunião prévia

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h02

Em um debate marcado pela ausência do líder nas pesquisas, Celso Russomanno (PRB), a Arquidiocese de São Paulo condenou o uso de igrejas como "currais eleitorais" e a "manipulação da religião" com fins políticos. O arcebispo d. Odilo Scherer afirmou, em discurso de abertura, que o uso da religião na disputa eleitoral "poderia deixar feridas dificilmente cicatrizáveis".

O recado foi dado uma semana depois do início de uma crise entre a Arquidiocese e o PRB de Russomanno. O partido tem entre seus líderes integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus.

"A manipulação e a instrumentalização da religião em busca do poder político não são um bem para a sociedade", disse d. Odilo.

O arcebispo não citou Russomanno e nenhum grupo evangélico, mas destacou que a Igreja Católica reprova o uso de estruturas religiosas por campanhas. "Não aprovamos que nossas igrejas sejam transformadas numa espécie de curral eleitoral ou que o voto dos nossos católicos sejam impostos por um cabresto", afirmou.

A Arquidiocese abriu um embate na semana passada contra o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, pastor licenciado da Igreja Universal e coordenador da campanha de Russomanno. A entidade emitiu uma nota de repúdio contra um texto de 2011 em que Pereira criticava a Igreja Católica e o acusou de "fomentar a discórdia". Diante da crise, o candidato pediu audiência com o arcebispo para "desfazer o mal-entendido", mas não foi recebido e decidiu cancelar sua participação no debate. Russomanno se reunirá com d. Odilo no próximo sábado.

A ausência do líder nas pesquisas foi um dos focos do evento, que ganhou dimensões de debate produzido por grandes emissoras de TV, com a presença dos principais marqueteiros das campanhas. Na mesa dos candidatos, os organizadores mantiveram um espaço vazio com seu nome.

Coube a Gabriel Chalita (PMDB), ligado à ala carismática da Igreja Católica, fazer o único questionamento público do debate a Russomanno. "Nós corremos risco de ter um candidato do PRB, que está em primeiro lugar nas pesquisas, que nem veio aqui hoje e não tem projeto nenhum, que tem apoios estranhos", disse.

Outros adversários fizeram comentários sobre a ausência após o evento. "Era previsível. Não é previsível que ele goste de fazer um debate de ideias", atacou José Serra (PSDB).

"Era uma oportunidade única de um gesto de humildade em função da agressão cometida por um correligionário dele", disse Fernando Haddad (PT).

"O Russomanno já faltou a muitos debates. Neste, ele deu uma declaração clara de hostilidade", comentou Soninha (PPS).

Chalita e Haddad criticaram o uso de religiões na política. O candidato do PMDB disse que não usa a Igreja "para fazer proselitismo político" e o petista defendeu o Estado laico. "Não é um Estado contra a religião, mas que preserva a liberdade religiosa", afirmou.

As perguntas do debate foram feitas por padres e freiras católicos, com foco em temas como educação e assistência social. Assuntos ligados a costumes, como aborto e homofobia, ficaram fora da pauta. / BRUNO BOGHOSSIAN, BRUNO LUPION e DAIENE CARDOSO

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