CUT e ONGs abandonam Fórum Social

Às vésperas de mais uma edição temática em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial, criado pela esquerda para se contrapor ao Fórum Econômico de Davos, está em crise. Uma disputa interna por espaço levou entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) a se retirarem da organização e outras, como o Movimento dos Sem Terra, a ignorarem sua realização.

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2013 | 02h00

Os críticos afirmam que o fórum vive um processo de "institucionalização" e está sendo apropriado pela prefeitura da capital gaúcha, comandada pelo pedetista José Fortunati. Reclamam também que empresários agora participam das discussões. A crise na edição que começa no próximo dia 26 é mais um sinal do enfraquecimento de um encontro que já mobilizou até presidentes, como Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, da Venezuela.

"A CUT adotou a posição pública de não participar desta edição temática. Houve uma descaracterização do fórum, uma intromissão de pessoas que não tem tradição, e não achamos legítimas algumas atitudes", disse o presidente da CUT-RS, Claudir Nestolo. A central reclama que a edição temática não estava prevista para este ano, já que a grande reunião do Fórum Social Mundial acontece em março, na Tunísia.

Os fóruns temáticos deveriam ser realizados em anos pares, descentralizadamente. No entanto, a ideia de fazer um encontro sobre democracia foi apoiada pelo criador do Fórum, o empresário Oded Grajew, que levará a Porto Alegre oficinas sobre cidades sustentáveis. "Uma das características do Fórum é a auto-organização. Abre-se espaço para que as organizações façam suas atividades, não tem ninguém que organiza ou controla e participa quem quiser", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.