Cunha recua e tira jornalistas e Gurgel de relatório

Relator da CPI do Cachoeira apresenta texto final hoje e afirma que está disposto a retirar o 'secundário', desde que partidos aprovem o 'essencial'

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h07

Na tentativa de aprovar o relatório da CPI do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG) recuou e apresentou ontem formalmente à bancada governista proposta para retirar do texto o pedido de indiciamento de cinco jornalistas, entre eles Policarpo Júnior, editor-chefe da revista Veja, e a sugestão para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seja investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público.

Parte dos aliados uniu-se ao PSDB e pressiona Cunha a salvar o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, uma das 46 pessoas indiciadas no relatório final da CPI. "Setores do PT reclamaram do ministro Joaquim Barbosa (do STF), que enquadrou o ex-ministro José Dirceu em quatro crimes. O Odair foi mais duro com Perillo do que Barbosa com o Dirceu", disse o deputado Silvio Costa (PTB-PE).

"Há temas que politizam o debate e devem ser retirados. É o caso da imprensa, do Gurgel e do indiciamento do governador Marconi", disse o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ). "Alguns acham que ele (Cunha) extrapolou e politizou o relatório porque propôs o indiciamento só do Perillo", disse o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL).

Dois pesos. Cunha propôs indiciamento do governador de Goiás em seis crimes. O PSDB acusou o relator de ser parcial por deixar de fora o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). "A situação do Marconi é idêntica à do Agnelo", reclamou o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG). "Não foi comprovado que Agnelo sucumbiu aos interesses da organização criminosa do Cachoeira. Já no caso do Perillo há encontros dele com o contraventor e até possível entrega de dinheiro", rebateu Cunha.

Sem chance de aprovar o relatório na íntegra, Cunha classificou a retirada do indiciamento dos jornalistas e da proposta de investigação de Gurgel como itens "secundários" e, por isso, passíveis de serem excluídos. "Se os partidos se comprometeram a aprovar o essencial, estou disposto a retirar o secundário", disse. "O encaminhamento do procurador-geral para o Conselho e o indiciamento dos jornalistas não são questões centrais. Se esses assuntos são elementos que criam obstáculos à aprovação do texto, abro mão deles."

No lugar de pedir o indiciamento dos jornalistas, Cunha deverá solicitar que a Polícia Federal aprofunde investigações sobre as relações deles com o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira. Outro ponto polêmico foi o pedido de indiciamento de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Os aliados são contra a medida mas até agora nenhum partido se expôs publicamente para pedir a retirada do indiciamento. Cunha avaliava ontem à noite a possibilidade de adiar mais uma vez a leitura do resumo de 300 páginas com as conclusões da CPI. "Estou trabalhando para ler. Só não lerei se não tiver condições políticas", disse, após reunião com integrantes da base aliada na CPI.

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