Cunha adia de novo relatório e vai reescrevê-lo

Dois dias após apresentar o relatório final com pedido de indiciamento e responsabilização criminal de 46 pessoas, o deputado Odair Cunha (PT-MG) recuou ontem e decidiu negociar a aprovação de novo texto com as conclusões das investigações da CPI do Cachoeira. À exceção do PT, o relatório desagradou à base aliada, que ameaça se unir à oposição e derrubar o parecer de Cunha.

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h11

Diante da derrota iminente, o relator adiou a leitura para quarta-feira e tentará negociar um texto mais palatável. "Vou construir um relatório que seja da maioria da CPI", disse. Pressionado, estuda retirar a sugestão de indiciamento do redator-chefe da revista Veja, Policarpo Júnior, e o pedido para que Conselho Nacional do Ministério Público investigue o procurador-geral, Roberto Gurgel. Cunha também adiou a leitura por ter se sentido "abandonado" pela cúpula do PT, que não fez defesa de seu texto.

A oposição e aliados consideraram uma "vingança" do PT a inclusão do procurador-geral no relatório final e o indiciamento de Policarpo Júnior. Gurgel foi o responsável por defender a condenação dos principais petistas envolvidos no escândalo do mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. "Não pode constar na proposta do relator qualquer coisa relativa à Procuradoria-Geral como se estivéssemos tentando incriminar Gurgel", defendeu o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Ele argumentou ainda que o pedido de convocação de Policarpo Júnior para ir à CPI não foi sequer votado.

Cunha também propôs a responsabilização criminal do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), por formação de quadrilha e corrupção, entre outros crimes. Em nota, o tucano disse ontem que o relator, "a serviço do mentor maior do mensalão e na ânsia de agradar seu chefe, produziu o mais malfeito e inconsistente 'relatório' de todas as CPMIs criadas até hoje no Congresso".

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