Crivella chama de 'reacionários' os que têm rejeição a ele e Garotinho

Candidato do PR critica PMDB e diz que Cabral, aliado de Pezão, criou um "dogma religioso, do qual é sumo sacerdote"

Tiago Rogero , O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 19h27

O senador Marcelo Crivella (PRB), candidato ao governo do Rio, chamou de "reacionários" os que têm rejeição a ele e ao candidato derrotado na disputa pelo Palácio Guanabara, agora seu aliado no segundo turno, o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Durante discurso em evento promovido pelo PR em apoio à candidatura do ex-ministro da Pesca, Crivella afirmou que Garotinho não precisa ficar triste com sua rejeição, "que é grande, é enorme", porque ela vem de "setores reacionários" da sociedade que surgem "sempre que há um movimento a favor de diminuição das desigualdades sociais".

Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella afirmou que o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) - que nesta eleição tenta reeleger seu sucessor, o também peemedebista Luiz Fernando Pezão - criou um "dogma religioso, do qual é sumo sacerdote", para a classe política de seu partido "dizendo o seguinte: 'Comecei como deputado e cheguei a governador porque sempre tive esquema, sempre enriqueci, sempre tive grandes partidos ao meu lado e grandes estruturas. Isso cria uma fantasia na mente de muitos militantes, vereadores, prefeitos e deputados que caem nessa crença, nessa fé, nessa religião".

Ao fim do evento, procurado pelos jornalistas, Crivella afirmou que desceria do palco para conceder entrevista. Mas andou rapidamente em direção à rua, se negando a responder às perguntas. "Tenho o debate agora à noite, não vou dar entrevista", disse, referindo-se ao evento que será promovido pela TV Band, surpreendendo até seus assessores, que disseram não entender o que estava acontecendo.

No palco, minutos antes, Anthony Garotinho também criticou o PMDB: "Isso é uma quadrilha. Esse grupo: (Jorge) Picciani (presidente estadual, deputado estadual eleito no domingo). Paulo Melo (presidente da Alerj, se reelegeu deputado), Cabral e Pezão são bandidos. Não têm amor pelo povo, compromisso com a causa pública", disse o ex-governador, que convocou a militância do PR para ir às ruas e pedir voto pelo senador. "Agora é Crivella!", gritou para as dezenas de correligionários de PR e também do partido do ex-ministro, o PRB. Agora ministro da Pesca (assumiu após Crivella se desincompatibilizar para concorrer), Eduardo Lopes (PRB), também ligado à Universal, participou do ato, mas não discursou.

Eleita deputada federal no domingo, Clarissa Garotinho (PR) afirmou que o "mais inteligente" para a presidente Dilma Rousseff (PT) no segundo turno da disputa presidencial seria, ao invés do palanque duplo com Pezão e Crivella no Rio, apoiar somente a chapa do senador. "Porque é o único palanque que é honesto com ela. O Pezão declara apoio à Dilma só para evitar o engajamento do PT na campanha de oposição a ele. Todo mundo sabe que a máquina do PMDB, inclusive no Rio onde o prefeito Eduardo Paes diz apoiar a Dilma, trabalha para o Aécio (Neves, candidato tucano à presidência). Então cabe à Dilma entender o que é mais inteligente a ela", disse a filha de Garotinho.

Além do ato, Garotinho quer promover carreatas com Crivella pela Baixada Fluminense e interior, e também pelo menos dois comícios, um no reduto eleitoral do ex-governador (Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense) e outro em Araruama, na Região dos Lagos, onde o ex-candidato do PR teve 48,6% dos votos, à frente de Pezão e do ex-ministro.

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