Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Críticas de Joice atingem até o ‘amigo’ Doria em convenção do PSL

Candidata à Prefeitura de São Paulo, deputada diz que governador foi ‘mais marqueteiro do que prefeito’

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2020 | 17h18

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL) lançou nesta segunda-feira, 31, sua candidatura à Prefeitura de São Paulo com críticas duras ao presidente Jair Bolsonaro, ao prefeito Bruno Covas (PSDB) e até ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de quem é amiga e aliada política.

Com um estilo que deve ser a sua marca na campanha, Joice disse, em entrevista coletiva após a convenção, que Covas é um “bom menino, mas uma nulidade como prefeito”, e afirmou que o tucano “não gosta de trabalhar” e representa a “esquerda do PSDB”.

A candidata do PSL surpreendeu ao criticar publicamente o governador Doria. “João Doria não foi prefeito. Ele só deu uma passadinha. Foi mais marqueteiro do que prefeito e deixou uma nulidade que é o Bruno Covas”, afirmou.

Sobre o eventual retorno de Bolsonaro ao PSL, possibilidade discutida nos círculos bolsonaristas, a deputada, que foi líder do governo mas rompeu com o presidente, condicionou a reaproximação a um pedido público de desculpas.

“Por que o presidente Bolsonaro quer voltar ao PSL? Qual a intenção? É para construir ou para destruir? É para fazer uma intervenção inquisidora? Se for para isso, que fique onde está. Se ele vier para construir, que peça desculpas públicas a quem ele tentou destruir: o presidente (do PSL, Luciano) Bivar, eu, (o deputado) Junior Bozella (presidente do PSL-SP), e (o senador) Major Olímpio, que fomos os mais fiéis ao presidente quando ele não tinha nada. Não adianta pedir desculpa no privado”. Bozella e Major Olímpio estavam ao lado da candidata na entrevista.

Joice disse, ainda, que não precisa ser “amiguinha” de Bolsonaro, mas ter uma relação “republicana” com o presidente. E mirou os filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro. “Eu não me sentiria confortável em estar no partido dos filhos do presidente. Já não me sentia quando liderava o governo Bolsonaro. Eu sempre vi como um problema a ingerência dos meninos em torno dele, mas isso é um problema dele com os filhos. Não sou mãe de marmanjo. Ele, que é pai de marmanjo, que se vire. Não quero sentar ao lado de alguém que fez “rachadinha”, que é eufemismo para corrupção”, afirmou.

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A convenção do PSL foi a primeira da capital paulista e aconteceu de forma virtual. O evento só foi divulgado no fim de semana e pegou de surpresa até aliados da parlamentar. A candidata falou com os jornalistas em entrevista coletiva presencial em uma pequena sala de reuniões da sigla na Avenida 9 de Julho. Logo na abertura, ela afirmou que “em nenhum momento” o PSL convidou Bolsonaro a retornar para o partido que o elegeu em 2018. “Não existe nada de retorno do presidente (ao PSL). Isso é um balão de ensaio criado por aqueles que deixaram o PSL e criaram o Aliança (pelo Brasil)”, afirmou a deputada. 

Deputada federal mais votada do Brasil, a jornalista obteve 1.078.659 votos por São Paulo, ficando atrás apenas de Eduardo Bolsonaro, que fez 1.843.715. Sobre seu candidato a vice, Joice disse que está dividida entre nomes, todos do PSL: o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o empresário Ivan Sayeg Leão e Marcos Cintra, ex-secretário da Receita Federal de Bolsonaro.

 

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