Crise versus apocalipse

O lamentado resultado da Rio+20 pelo ativismo ambientalista tem merecido nos dias que seguiram o encerramento do fórum diversas abordagens críticas - que vão da falta de vontade política dos países desenvolvidos de avançar em ações efetivas pelo desenvolvimento sustentável até à desidratação da chamada economia verde.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h07

No primeiro caso, ficou patente a relação de causa e efeito entre o banho-maria imposto ao processo pela crise econômica mundial e a necessidade de financiamentos.

À falta de ambição política corresponde a falta de ambição de financiamento pelos países ricos, conforme a síntese do embaixador Luis Alberto Figueiredo (foto), secretário-executivo da Rio+20, ao registrar a rejeição da proposta dos emergentes de um fundo anual de 30 bilhões de dólares para ações de proteção ambiental.

Senão no todo, pelo menos em parte, talvez esteja aí a tradução da crítica da presidente Dilma Rousseff ao que chamou de "fantasia" de setores ambientalistas empenhados em impor um ritmo além do possível aos atores do processo - feita antes do encontro por quem já previa seu desfecho.

Sai derrotado mesmo da Rio +20, para bem geral, o marketing do apocalipse como pano de fundo da causa ambiental, capaz de mobilizar o mundo jovem, mas que soa criacionista demais ao mundo político, às voltas com uma economia cuja crise se move em tempo real.

Governo tenta

demover Renan

O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), tem mantido encontros reservados com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Para quem quiser acreditar, Renan diz que a pauta é a violência em Alagoas. Na vida real, Dilma promete apoio a Renan ao governo de Alagoas em troca de sua renúncia à sucessão de Sarney na presidência da Casa. Ela argumenta (com razão), que a candidatura ressuscitará o escândalo que tirou Renan do cargo.

Fogo amigo

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, abriu sindicância interna para apurar vazamento de doações da Delta a peemedebistas. Ele acredita que o senador Waldemir Moka (PMDB-MS) é alvo do fogo amigo por se dizer cotado para substituir Eduardo Braga (PMDB-AM) na liderança do governo, que sai para disputar a Prefeitura de Manaus.

Almoço grátis

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), perdeu tempo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que rejeitou seu indicado, Eduardo Martins, para a presidência do Banco do Nordeste, durante almoço na residência da Câmara. O PT ceraense quer a vaga para Jurandir Santiago, investigado pelo Ministério Público. E o PT da Bahia tenta emplacar Paulo Ferraro, ex- diretor de Negócios do banco. Contrariando máxima da política, o almoço de Maia saiu de graça para Mantega.

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