Crise: 'Quiseram ganhar sem produzir nenhum botão', diz Lula

Após votar em São Bernardo, presidente disse que não irá estatizar nem ajudar instituições financeiras do Brasil

Anne Warth, Agencia Estado

26 de outubro de 2008 | 12h08

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após votar neste domingo, 26, voltou a falar dos impactos da crise financeira no País e ressaltou que o governo não tem a intenção de estatizar bancos e instituições financeiras, mas também não irá simplesmente dar dinheiro a essas instituições. "Quiseram ganhar dinheiro sem produzir nenhum botão, nenhuma cabeça de alfinete e, obviamente, agora não vamos dar o dinheiro do Estado, que guardamos com tanta delicadeza e carinho, para ajudar quem tentou praticar fraudes no sistema financeiro."   Lula votou por volta das 10h20, na Escola Estadual Dr. João Firmino Correia de Araújo, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, acompanhado pelo candidato a prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), seu vice na chapa, Frank Aguiar, e pela primeira-dama Marisa Letícia. O presidente afirmou estar confiante na vitória dos candidatos petistas que disputam o segundo turno. O presidente cumprimentou eleitores que se aglomeravam na escola para vê-lo e falou rapidamente com os jornalistas.   Veja também: Japão aumentará oferta de ajuda para bancos com problemas  Ásia e Europa atingem consenso sobre crise e enaltecem FMI Lições de 29  Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  Lula elogiou as medidas anunciada pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, de certa forma copiadas pelo governo brasileiro por meio da medida provisória 443. "Ao invés de você dar dinheiro para o banco sem garantia, você compra ações daquele banco. A hora que aquele banco se recuperar, você vende as ações para aquele mesmo banco", afirmou.O presidente insistiu na idéia de que o governo não dará dinheiro para as empresas que tiveram prejuízos com operações com derivativos cambiais. "Ninguém pretende estatizar bancos. Agora, ninguém vai dar dinheiro para banco", alertou. "O que não dá é para a gente dar dinheiro para bancos ou empresas que apostaram em ganhar dinheiro fácil. Ou seja, em transformar a economia real em jogatina", declarou. Crédito Apesar do puxão de orelhas, o presidente reconheceu a importância do sistema financeiro para o País e garantiu que irá oferecer crédito se as empresas necessitarem para que a economia brasileira continue a crescer. Lula disse ter uma reunião marcada para amanhã com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para discutir os setores da economia que precisam de crédito. Embora não tenha falado em nomes, se referiu a pequenas empresas e à construção civil. "Nós vamos ver, no setor econômico, aqueles que estão necessitando de crédito para que a gente possa disponibilizar, pois nós temos os recursos."Lula repetiu que os investimentos do Programa da Aceleração do Crescimento (PAC) e da Petrobras estão garantidos. Após a entrevista o presidente não deixou de citar a vitória do Corinthians na tarde de ontem, que o leva da segunda para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro. "Saudações corintianas", disse, bastante feliz. Após votar Lula seguiu para sua residência, onde deve passar o dia.

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