Hélvio Romero|Estadão
Hélvio Romero|Estadão

Crise política e ataques a padrinhos políticos dominam debate entre candidatos em SP

Assuntos como reforma trabalhista, Operação Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff motivaram troca de ataques durante o programa; Temer, Lula e Alckmin também foram alvo

O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2016 | 21h07

O debate entre os seis principais candidatos à Prefeitura de São Paulo promovido neste domingo, 18, pela TV Gazeta, Estado e Twitter foi marcado pela discussão de temas relacionados ao momento turbulento pelo qual passa a política nacional. Assuntos como reforma trabalhista, Operação Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff motivaram troca de ataques durante o programa. Padrinhos políticos dos candidatos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente Michel Temer (PMDB) também foram alvo.

João Doria (PSDB) defendeu a gestão Alckmin e atacou Fernando Haddad (PT) dizendo que o PT introduziu a corrupção no País. Doria elogiou a "honestidade e decência" do governo Geraldo Alckmin. A fala provocou reações na plateia, que vaiou o candidato e, aos gritos, fez referências ao escândalo da máfia da merenda.

"Sou candidato a prefeito de São Paulo e me preparei para isso", discursou Doria. "Eu respeito você, Haddad, mas você não pode falar o que falou do governo Alckmin nem de gestão porque seu partido fez o que fez com o Brasil: deixou milhões de pessoas desempregadas. Não me venha dar aulas de gestão porque você não está sendo bem avaliado."

Luiza Erundina, do PSOL, disse que é preciso preservar o trabalho da Lava Jato e que não podem ser aceitos excessos, mas fez uma ressalva: "A defesa do ex-presidente Lula é uma questão que diz respeito ao Partido dos Trabalhadores."

Haddad disse concordar com Erundina na opinião de que Fernando Henrique Cardoso foi um dos piores presidentes da história da República e defendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lembrou seus projetos à frente do Ministério da Educação e disse que Lula, durante esse tempo, nunca lhe pediu para receber empreiteiros. 

Doria rebateu Haddad dizendo que a diferença entre Lula e FHC é que o tucano é "honesto".

Temer também foi alvo de críticas. No segundo bloco,  a candidata do PSOL Luiza Erundina, fez críticas ao governodo peemdebista. "Sou contra o governo Temer e as medidas que ele implementa como pagamento do golpe", afirmou, salientando que as políticas adotadas pelo sucessor de Dilma Rousseff (PT) são "regressivas" e "atentatórias aos direitos humanos". "Não ao governo Temer", pregou.

"Não há concessão possível, diante do quadro que existe hoje no País", discursou Erundina. "Temer é um destruidor das conquistas brasileiras e está voltando à era anterior ao governo Vargas."

O candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), além de associar a adversária Marta Suplicy (PMDB) ao governo Temer, questionou propostas da nova administração federal como a elevação da idade mínima para a aposentadoria e a PEC do Teto dos Gastos, medida que, segundo ele, "congela os gastos públicos por 20 anos".

Haddad mirou Marta mais um vez ao dizer que ela é apoiada pelos ministros do governo Temer, José Serra e Gilberto Kassab, os dois também ex-prefeitos de São Paulo. "Depois de oito anos de Serra e Kassab, nós tivemos que fazer o maior plano de reestruturação de carreiras de Estado", afirmou.

As propostas do governo para uma reforma trabalhista esquentaram o clima entre Marta Suplicy (PMDB) e Celso Russomanno (PRB). Indagada sobre a intenção do governo Michel Temer de permitir o aumento para 12 horas do limite da jornada diária de trabalho, Marta respondeu: "O presidente Michel Temer não encampou a jornada de 12 horas de trabalho. Quem fez a proposta foi o ministro do Trabalho, que é do partido do Russomanno."

O candidato do PRB rebateu: "Eu disse que sou contra o aumento da jornada de trabalho. Acho que precisamos de reformas, mas quem tem que falar com o presidente é a candidata Marta, que é do partido dele."

Foi a primeira vez que Russomanno se manifestou sobre a questão. Questionado em outras ocasiões, o candidato chegou a dizer que não se manifestaria, ou sua campanha "naufragaria". 

Logo  no primeiro bloco, em resposta a questionamento de repórter da TV Gazeta, sobre sua saída do PT e filiação ao PMDB no ano passado, a candidata e senadora Marta Suplicy disse que deixou o PT por uma série de circunstâncias, citando esquema de corrupção na Petrobrás investigado pela Operação Lava Jato. "Eu não tinha nada a ver com aquilo", disse a candidata.

Sobre sua ida para o PMDB, ela expôs seus motivos. "Eu tinha que escolher um partido forte, grande, e eu olhei, pensei e vi que não tinha um partido grande, estruturado, que me desse a possibilidade de estar ali sem ter gente investigada", disse Marta, fazendo questão de afirmar que apoia a Operação Lava Jato independente de quem a investigação atinja.

Questionado pelo repórter do Estado Pedro Venceslau sobre o fato de sua campanha "esconder" a estrela do PT, o prefeito Fernando Haddad afirmou que está há 30 anos no partido e, dirigindo-se ao candidato e deputado federal Major Olímpio (SD), disse que faz parte da turma que não "arrega". Agradeceu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela oportunidade de revolucionar a educação do País à frente do ministério.

 

Medidas. Celso Russomanno (PRB), João Doria (PSDB) e Marta listaram medidas que tomarão se forem eleitos. Russomanno falou em informatização do atendimento do sistema de saúde. Para Doria, o que falta no sistema de saúde municipal é boa gestão.

Na área da Educação, Marta disse que vai entregar 14 Centros Educacionais Unificados (CEUs) e investir em creches. Doria destacou que sua proposta para o setor prevê aulas em tempo integral. "Nos dias de hoje não é mais aceitável as escolas terem lousas de pedra", criticou, ressaltando que colocará internet nas escolas e oferecerá tablets para os alunos.

Major Olímpio (SD) lembrou que o município terá dificuldades grandes de Orçamento em 2017, já que haverá queda de 9% em relação a este ano, mas defendeu o uso da "criatividade" contra a restrição orçamentária e para implementar propostas como a ampliação dos programas esportivos.

Tema caro aos partidos de esquerda, a questão da privatização dos serviços públicos gerou pequeno embate entre Erundina e Haddad. Cobrado pela candidata do PSOL, Haddad disse que "para atender quem mais precisa muitas vezes é necessário parcerias com setor privado" - e foi isso que ele fez por meio do ProUni, o Programa Universidade Para Todos, que ajuda a bancar a matrícula de alunos na rede privada. / FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, CRISTINA CANAS, PEDRO VENCESLAU, RICARDO GALHARDO, ADRIANA FERRAZ E VALMAR HUPSEL FILHO

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