Crise adia aumento salarial

Embora reabilite parcialmente a imagem do Judiciário, a decisão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) amplo poder de investigação é insuficiente para a retomada da reivindicação de reajuste salarial da magistratura.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2012 | 12h04

Essa é uma das consequências da longa exposição das entranhas da Justiça no período que antecedeu a decisão de anteontem em favor da transparência na instituição. Foram meses de uma guerra intestina cuja síntese gravada na memória coletiva é a da corregedora Eliana Calmon, de que "há bandidos de toga" que só agora poderão ser alvo de processos isentos.

Como as primeiras reações indicam que a derrota não desmobilizou a resistência corporativista, são previsíveis novas batalhas secundárias com poder de corrosão da imagem do Judiciário. A principal, com relação à legitimidade do CNJ para investigar a evolução patrimonial dos juízes com base em informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que já identificou movimentações atípicas de juízes em valor próximo a R$ 1 bilhão.

As associações de magistrados, feudos do corporativismo, já demonstraram disposição para continuar a briga, ao questionar a escolha do relator dessa questão, ministro Joaquim Barbosa, um dos seis que votaram a favor do CNJ.

Tal perspectiva mantém o Judiciário exposto negativamente junto à opinião pública e favorece o governo, que resiste ao aumento da categoria. Como se sabe, a reivindicação é de um aumento de 14,5% para os juízes e de 56% para os servidores - uma conta de R$ 8 bilhões.

Lula entra na briga

do PT na Câmara

Depois de interferir pela permanência de Marta Suplicy (SP) na vice-presidência do Senado, o ex-presidente Lula trabalha agora contra a eleição do novo líder do PT na Câmara, que divide a bancada. De posse de uma pesquisa interna que indica empate técnico entre os candidatos José Guimarães (CE) e Jilmar Tatto (SP), o ex-presidente quer uma solução negociada. Preocupa-se com a campanha de Guimarães contra a hegemonia paulista nos postos de comando do partido, que mobiliza a bancada nordestina. Esta, tem 29 votos contra os 16 de São Paulo. Tatto, que a exemplo de Marta, abdicou da candidatura à prefeitura de São Paulo em favor de Fernando Haddad, poderá ter como prêmio de consolação a presidência da Comissão de Orçamento este ano.

A fila anda

A dança das cadeiras nas lideranças repercute na Executiva Nacional do PT. Se eleito líder, José Guimarães (CE) deixará a vice-presidência do partido, que passará a ser exercida pelo senador Humberto Costa (PE). Pedra no caminho.

O governo corre contra o tempo para aprovar a recondução de Bernardo Figueiredo à direção-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) até 18 de fevereiro, quando expira seu mandato. Figueiredo foi assessor de Dilma Rousseff na Casa Civil até 2008 e tem a missão de tirar do papel o trem-bala. O senador Roberto Requião (PMDB-PR), porém, aprovou requerimento para, antes da sabatina, a Comissão de Infraestrutura ouvir o Ministério Público que representou contra Figueiredo junto ao TCU, por dilapidação do patrimônio da extinta Rede Ferroviária Federal e suposto favorecimento a empresas privadas.

Mais forte

Ex-PR, o senador Clésio Andrade (MG) se filia ao PMDB logo após o Carnaval. Com isso, recompõe a bancada de 19 senadores do partido, desfalcada pela Lei da Ficha Limpa.

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