Cracolândia pauta ataque tucano ao PT

Em debate ontem, pré-candidatos do PSDB à Prefeitura, por orientação do governador, criticaram gestões petistas e o ministro Haddad

JULIA DUAILIBI, FERNANDO GALLO, GUSTAVO URIBE / AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2012 | 03h01

Sob orientação do Palácio dos Bandeirantes, os pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de São Paulo e o presidente municipal do partido, secretário estadual de Planejamento, Júlio Semeghini, atacaram ontem o PT e o governo federal ao falarem sobre a operação na cracolândia, na região central de São Paulo.

Os quatro pré-candidatos tucanos, que participaram de debate do partido, receberam telefonemas da equipe de comunicação do Palácio pedindo a eles que respondessem aos ataques do PT à ação da Polícia Militar no centro da cidade. Foram também enviados aos tucanos números sobre as apreensões de crack, as internações e as prisões de traficantes feitas pela polícia.

A ideia era que os pré-candidatos e os líderes do partido saíssem em defesa da ação realizada pelo governo do Estado em parceria com a Prefeitura, o que foi seguido à risca.

"Ao dificultar a ação dos traficantes, apreendemos 16 mil pedras de crack. Isso mostra como as pessoas estão passando com toda a facilidade pelas fronteiras do Brasil e chegando aqui com sacos, caixas e caminhões cheios de crack", afirmou Semeghini, para quem faltou "coragem do governo federal para evitar que as coisas chegassem a este ponto".

"Os oportunistas estão pegando carona na tragédia humana", criticou Andrea Matarazzo, pré-candidato e secretário de Cultura. Segundo ele, a gestão do PT na Prefeitura "consolidou" o crack na região central. "Eles hoje vêm reclamar de que está errado, mas podiam ter feito na época."

A operação na cracolândia será um dos principais temas da campanha municipal deste ano. Munidos de pesquisas que mostram aprovação da população em relação à ação da polícia, os tucanos vão defender a operação. Os petistas, por sua vez, já criticam o plano do governo estadual, ao atacar episódios de abuso cometidos pela polícia.

Conforme noticiou o Estado no domingo, o PT vai escalar o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para elaborar um projeto de combate ao consumo de droga para o candidato do partido à Prefeitura, ministro Fernando Haddad (Educação). No final de semana, o petista classificou de "desastrada" a operação da polícia, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Ataque. Num discurso casado, os pré-candidatos tucanos acusaram as gestões petistas de não agirem para fortalecer a segurança nas regiões fronteiriças e, consequentemente, de permitirem a entrada das drogas no Brasil.

"O crack não é produto oriundo do Brasil e nossas fronteiras estão escancaradas. O governo federal há 9 anos não faz absolutamente nada para evitar o tráfico de entorpecentes. O que estamos tentando fazer hoje é tentar corrigir algo que aconteceu há muito tempo. Não adianta dizer que a culpa é da Prefeitura ou do governo (estadual) se o governo federal não fez a lição de casa", criticou Trípoli.

Os pré-candidatos defenderam a ação da polícia. "Essa ação firme tem ajudado muito a enfrentar o problema e nós queremos a participação do governo federal", declarou o secretário Bruno Covas (Meio Ambiente).

Para José Aníbal (Energia), "o governo do PT não permite a internação dos dependentes químicos, o que não contribuiu em nada até aqui".

O debate de ontem foi o segundo promovido pelo partido no processo de prévias internas, que estão marcadas para ocorrer no dia 4 de março.

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