CPTM diz que segredo de Justiça impede comentários sobre o caso

Estatal informou ter assumido compromisso de não divulgar ou comentar declarações de engenheiro da Siemens sobre cartel

Fausto Macedo e Ricardo Chapola - O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2013 | 02h11

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) não respondeu aos questionamentos do Estado porque afirmou ter assumido compromisso com a Justiça de não comentar o depoimento de Peter Gölitz prestado à Polícia Federal.

O engenheiro eletricista da Siemens, que assinou acordo de leniência da empresa com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em maio, revelou a dinâmica do cartel entre empresas para conquistar três grandes contratos milionários no setor metroferroviário nos governos do PSDB entre 1999 e 2004.

A CPTM informou que também teve acesso aos esclarecimentos de Peter Gölitz, mas que não iria comentá-los em função de a investigação estar sob segredo de Justiça.

"A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) teve acesso à íntegra das declarações que constam no inquérito. Contudo, assumiu o compromisso de não divulgar, comentar ou compartilhar o seu conteúdo em razão da investigação estar sob segredo de Justiça", afirmou a companhia em nota, na qual aproveitou para reiterar sua colaboração com órgãos externos de fiscalização, a Polícia Federal e o Ministério Público na investigação do caso de suspeitas de cartel.

Em nota, "a Alstom nega veementemente que combinações de preços ou concorrência desleal sejam práticas da empresa", informou a companhia.

A multinacional francesa reforçou também a rigidez ética nos procedimentos internos da companhia. "A empresa reforça que segue um rígido código de ética, definido e implementado por meio de sérios procedimentos, de maneira a respeitar todas as leis e regulamentações e aplica um processo interno para prevenir infrações no cumprimento de regras pelo grupo."

A CAF e a Mitsui, também mencionadas no depoimento de Peter Gölitz à Polícia Federal, não quiseram se pronunciar sobre o caso.

A Siemens, onde Peter Gölitz trabalha, informou, por meio de nota, reconhecer a colaboração dos funcionários com a política de respeito às leis e à ética. "A Siemens possui um ambiente interno que reconhece aqueles que, mesmo tendo sido induzidos ao erro no passado, passaram a colaborar com nossa política de respeito às leis e ética nos negócios, sendo um exemplo para os demais funcionários", afirma a nota da empresa.

Executivos da Bombardier não foram encontrados para comentar o depoimento de Gölitz à Polícia Federal.

 

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