CPI tenta ouvir dono da Delta e ex-chefes do Dnit e da Dersa

Depoimentos foram marcados pela cúpula da comissão na mesma semana em que serão dadas sentenças do julgamento do mensalão

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h08

Na tentativa de dividir holofotes com o julgamento do mensalão, a CPI do Cachoeira marcou para a última semana de agosto o depoimento de quatro personagens polêmicos: Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit); Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-dirigente da Dersa no governo do PSDB em São Paulo; Fernando Cavendish, principal acionista da Delta Construções, e Adir Assad, dono da Rock Star, empresa com sede em São Paulo que recebeu recursos da Delta.

Esses depoimentos devem coincidir com a leitura das sentenças dos ministros do Supremo Tribunal Federal sobre os 38 réus do mensalão - incluindo o de Cezar Peluso, que é dado como favorável à condenação dos envolvidos e que, por se aposentar em 3 de setembro, deve antecipar seu voto. Dessa forma, a cúpula da CPI espera ofuscar as sentenças contra os réus do mensalão.

Ao contrário da maioria dos depoentes, que ficam em silêncio diante dos parlamentares, os ex-dirigentes do Dnit e da Dersa estão dispostos a falar. Pagot é considerado um "fio desencapado" tanto por governistas quanto pela oposição. O PT condicionou a ida do ex-diretor do Dnit - que deixou o governo na primeira leva de "faxinados" pela presidente Dilma Rousseff - à convocação de Vieira de Souza, que foi diretor da empresa responsável por obras de rodovias paulistas.

Segundo Pagot, Vieira de Souza teria pressionado pela liberação de verbas do Dnit para obras do Rodoanel em São Paulo. Parte dos recursos seria supostamente usada para abastecer um suposto caixa 2 de campanha. A pressão teria ocorrido em 2009.

Pelo cronograma divulgado ontem pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), Pagot será o primeiro a depor. Ex-filiado ao PR, sigla que perdeu o Ministério dos Transportes na "faxina", ele acusou PT e PSDB de usarem os governos federal e paulista para bancar a campanha presidencial de 2010. À imprensa, Pagot disse que o alto escalão do PT pediu ajuda para conseguir doações de empresas contratadas pelo Dnit para a campanha de Dilma. Sem apresentar provas, culpou tucanos por suposto desvio de dinheiro do Rodoanel para abastecer o comitê do então candidato José Serra. Os dois partidos negam as acusações.

No mesmo dia, a CPI pretende ouvir Adir Assad, dono da Rock Star, que também teria ligações com os tucanos. Em 29 de agosto, quem vai à comissão é Fernando Cavendish, principal acionista da Delta. Ele deixou o comando da empresa após denúncias de ligação da empreiteira com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ao contrário de Pagot e Vieira de Souza, Cavendish deve ficar em silêncio na CPI.

Mais uma vez. A comissão também aprovou uma nova convocação de Cachoeira, mas ele só irá à CPI se houver a certeza de que vai falar. O contraventor esteve no Congresso em 22 de maio, mas ficou em silêncio. Também foi aprovada a quebra do sigilo telefônico, fiscal, bancário e de mensagens de Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira. Ela é acusada de tentar chantagear o juiz federal Alberico Rocha Santos, de Goiânia, que julga o processo contra o contraventor.

A CPI também vai convidar para depor o deputado Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO). O tucano foi flagrado em conversas interceptadas pela Polícia Federal mantendo diálogos com Cachoeira. Já o deputado Sandes Júnior (PP-GO), também pego nas escutas com Cachoeira, terá de responder a um requerimento de informações, sem necessidade de comparecer à CPI.

Na próxima terça-feira, os parlamentares vão ouvir os dois procuradores da República responsáveis pelas investigações das Operações Vegas e Monte Carlo. No dia seguinte, será a vez do presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón, ex-tesoureiro da campanha do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) em 2010.

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