CPI quebra sigilos de Agnelo e Perillo

Acesso a dados de contas bancárias, declarações de renda e ligações telefônicas de governadores do DF e de GO vai abranger dez anos

EUGÊNIA LOPES , RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h07

A CPI do Cachoeira aprovou ontem, por unanimidade, a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e de e-mails dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Os nomes dos dois governadores aparecem em conversas telefônicas gravadas pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que investigou a organização criminosa chefiada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A abertura dos sigilos refere-se aos últimos dez anos - de 1.º de janeiro de 2002 até junho deste ano.

A aprovação da quebra dos sigilos dos dois governadores ocorre um dia depois de Agnelo ter assinado documento autorizando o acesso da CPI a seus dados bancários, fiscais e telefônicos. Agnelo depôs anteontem na comissão e negou conhecer Cachoeira ou ter contatos com dirigentes da Delta. Mas não explicou a compra de uma casa em condomínio do Distrito Federal. "Quando meu sigilo chegar vocês vão ver que tiveram cheques e depósito para a compra da casa", disse o governador.

Na véspera, o governador tucano havia se recusado a abrir espontaneamente seus sigilos. Mas, diante da decisão do petista, Perillo recuou e viu-se obrigado a concordar com a abertura de suas contas. A rigor, o gesto de ambos foi mais teatral e incapaz de restringir o alcance da quebra de sigilo.

Anteontem, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de investigação contra os dois governadores. São três inquéritos: um contra o tucano e dois contra o petista. O objetivo é apurar as suspeitas de envolvimento de ambos no esquema de Carlinhos Cachoeira.

No caso de Agnelo, o procurador-geral também pretende investigar se ele participou de supostas irregularidades na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Ministério Público suspeita que o governador tenha recebido vantagens de grupos farmacêuticos quando era diretor do órgão.

Quanto a Perillo, a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, levantou inúmeras suspeitas, entre elas a venda da casa do governador na qual Cachoeira foi preso, em fevereiro deste ano.

Recesso. A comissão parlamentar mista vai fazer um recesso na semana que vem, sem realizar sessões administrativas nem ouvir depoimentos. O motivo são as festas juninas e a conferência Rio+20.

"Vamos nos dedicar na semana que vem à análise dos documentos que estão chegando", afirmou o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG).

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