CPI poupa matriz da Delta, Cavendish e governadores

Apenas filiais do Centro-Oeste da empreiteira viram alvo da comissão; Perillo, Cabral e Agnelo foram preservados

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h03

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira poupou ontem a matriz da empreiteira Delta Construções, que está em processo de negociação de venda para o grupo J&F Participações, restringindo a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico da empresa às filiais do Centro-Oeste (Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal).

Ao mesmo tempo, a CPI preservou o proprietário da empreiteira, Fernando Cavendish, e os governadores de Estado, limitando à convocação a 51 parentes e pessoas ligadas ao esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Foram aprovadas ainda a quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal de 36 pessoas e empresas do esquema. Nenhum dos três parlamentares - Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ) - que aparecem nas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, e já são alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) foram convocados ou tiveram seus sigilos quebrados pela CPI.

"Só aprovaram a convocação e a quebra de sigilo dos bagrinhos da história", resumiu a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Integrantes do PT e do PMDB se uniram para blindar a Delta e Cavendish, sob a alegação de "falta de indícios" para investigar a empreiteira e seu presidente licenciado. Parte da oposição tentou incluir na pauta ontem requerimento para a quebra de sigilo da Delta nacional.

Mas o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), não concordou e marcou a próxima sessão administrativa para o dia 5 de junho, quando promete pôr em votação o requerimento reivindicado pela oposição. "Não há indícios suficientes para a quebra de sigilo, além das filiais do Centro-Oeste", argumentou o relator. Os deputados tucanos Carlos Sampaio (SP) e Fernando Franceschini (PR) votaram a favor de adiar a discussão.

Perillo. Ao preservar Cavendish e a Delta nacional, os integrantes da base aliada sinalizaram que vão tentar comprovar o envolvimento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com o esquema de Cachoeira. Foi aprovado requerimento de convocação e de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Leonardo Augusto Ramos, sobrinho do contraventor. Segundo investigação da Polícia Federal, foi Leonardo quem deu três cheques, que somavam R$ 1,4 milhão, em pagamento por uma casa vendida por Perillo.

Além da quebra de sigilo da Delta Centro-Oeste, os integrantes da Comissão aprovaram ontem a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-diretor da Delta Cláudio Abreu e dos principais assessores de Cachoeira: Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá; Gleyb Ferreira e Geovani Pereira da Silva. De acordo com a PF, Cláudio Abreu seria o elo da Delta com Cachoeira. Ele está preso e deverá depor na CPI no dia 29 de maio.

Nas cerca de cinco horas de sessão, os integrantes da CPI também aprovaram a convocação do ex-chefe de Gabinete do governo do Distrito Federal Cláudio Monteiro, apontado nas investigações por negociar propina para favorecer a Delta em contratos de prestação de serviços de recolhimento de lixo em Brasília. Foram aprovadas ainda a convocação e quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico de familiares de Cachoeira, como a ex-mulher Andréa Aprígio, o pai do contraventor Sebastião de Almeida Ramos e o irmão Marcos de Almeida Ramos.

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