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CPI não vai terminar em pizza, diz relator

Deputado afirma que relatório final trará mais elementos à investigação da PF que prendeu o contraventor em fevereiro

Entrevista com

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h00

O deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI do Cachoeira, afasta com veemência a possibilidade de a CPI terminar em pizza. Ele afirma que o relatório final acrescentará elementos às investigações feitas pela Polícia Federal, que culminaram em fevereiro com a prisão do contraventor Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.

As investigações mostraram a exploração ilegal de jogos em Goiás, com a atuação de uma rede criminosa envolvendo autoridades, políticos e empresários. Em entrevista ao Estado, o ex-seminarista e deputado federal de terceiro mandato afirma que a Delta Construções, empreiteira acusada de repassar recursos a empresas fantasmas, não sairá incólume das investigações.

Ele defende, porém, que a CPI não amplie as investigações e aposta até na abertura de uma nova comissão para apurar o rastro de eventuais ilegalidades da empreiteira. Até agora, a CPI detectou movimentações financeiras suspeitas da Delta com 225 empresas.

A CPI blindou a Delta?

Nós temos que ter sempre foco na investigação. Temos claramente duas fontes de recursos ilícitos: a jogatina e a fraude em licitações. A conclusão do nosso relatório precisa apontar exatamente de onde saiu e para onde efetivamente foram os milhões de reais movimentados pelo Cachoeira e quem foram as pessoas beneficiadas por esse dinheiro.

Por que a CPI não amplia as investigações sobre a Delta com a quebra de sigilo de empresas que receberam dinheiro?

A Delta deve e será investigada. Nós identificamos que a Delta fez movimentações atípicas, não quer dizer ilegais, com 225 empresas. Agora, CPI tem fato determinado, tem foco. É inevitável uma investigação sobre a Delta. Isso será feito ou em outra CPI, ou pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal.

Por que a CPI suspendeu seus trabalhos?

A parada na CPI é porque a organização comandada pelo Cachoeira tem um pacto de silêncio. Em vez de ficarmos produzindo oitivas, onde os depoentes nada falam, resolvemos concentrar esforços em outros meios. Além disso, ninguém usa a CPI eleitoralmente como usa o julgamento do Supremo Tribunal Federal. No caso do julgamento do STF há uma exploração política eleitoral.

Não há o temor de que a CPI fique com pecha de chapa branca e o senhor com fama de pizzaiolo?

Não há essa preocupação porque a CPI não está sendo e não será chapa branca. Quem quer investigar tudo não investigará nada.

A CPI vai ser prorrogada?

Vamos decidir isso em outubro. Nós não temos, por exemplo, nem 10% dos sigilos telefônicos conosco. Sem os sigilos telefônicos, como eu faço um relatório? Eu preparo um relatório para ser apresentado no prazo regimental, mas preciso dos dados. Se vamos ou não prorrogar vai depender da substância dos dados que tenho em minha mão.

O mensalão foi descoberto a partir de investigações da CPI dos Correios. O que o senhor acha do julgamento do mensalão pelo Supremo?

Espero que o Supremo faça um julgamento sóbrio. Acho que o julgamento neste período eleitoral favorece a interesses da oposição. Julgar esse processo agora serve a interesses eleitorais.

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