'CPI não vai blindar ninguém. Não há tema proibido'

Deputado diz que se afastou do governo após assumir relatoria da comissão e que não recebeu nenhum pedido

Entrevista com

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2012 | 03h06

Relator da CPI do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG) só terá acesso aos documentos das Operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, a partir de segunda-feira. Daí a demora na convocação de autoridades supostamente envolvidas com o esquema de Carlinhos Cachoeira. Mas o petista garante que a CPI não vai blindar ninguém.

O sr. é favorável à convocação dos governadores Marconi Perillo (GO), Agnelo Queiroz (DF) e Sérgio Cabral (RJ)?

Não há nenhuma preocupação em convocá-los ou não. Nós vamos tomar a decisão com base nas informações que nós tivermos dos inquéritos da Polícia Federal. Não vou fazer juízo sobre os governadores a partir de matérias jornalísticas. Quero deixar uma coisa clara: não há blindagem a ninguém. Não há tema proibido na CPMI. Nós vamos investigar a organização criminosa do Carlinhos Cachoeira e quem se relacionou com ela. Todos os tentáculos dessa organização devem ser por nós investigados.

Por que o sr. não convocou o dono da Delta, Fernando Cavendish, nessa primeira fase da CPI?

Coloquei na primeira leva de convocados gente da Delta. A partir deste depoimento, das quebras de sigilo e da leitura dos inquéritos da Polícia Federal, ele e outros poderão ser convocados.

Mesmo depois de o procurador-geral, Roberto Gurgel, ter levantado a suspeita de que Cachoeira seria sócio oculto de Cavendish?

Na hora em que o procurador-geral da República nos encaminhar os documentos que motivaram a denúncia dele e eu tiver acesso aos documentos, eu farei juízo de valor. Estamos aguardando esse documento chegar à CPI.

O sr. pretende requisitar os documentos e relatórios de outras CPIs, como a dos Bingos?

As outras CPIs já cumpriram o seu papel.

O sr. recebeu alguma orientação do governo desde que assumiu a relatoria da CPI? Conversou com o ex-presidente Lula?

Quando assumi a relatoria, deixei a função de vice-líder do governo Dilma Rousseff. Não tive de lá para cá nenhuma relação ou conversa com pessoa do governo sobre CPI. Até porque são tarefas nas quais o governo não se envolve. Não recebi nenhuma orientação, nenhum pedido. Também não tive nenhum contato, conversa ou diálogo com o Lula.

Por que o sr. decidiu suspender os trabalhos da CPI durante o recesso parlamentar de julho?

É importante ter clareza de que o trabalho da CPI não ocorre só quando há oitivas. Nem sempre as oitivas são tão produtivas. Vamos continuar trabalhando na investigação mesmo no período de recesso parlamentar. Só não teremos oitivas.

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