CPI fecha cerco a Perillo; Dias diz que caso 'sangra' PSDB

Após 'Estado' revelar que empresa ligada a Cachoeira pagou serviço eleitoral para governador, parlamentares defendem quebra de sigilos

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h03

O cerco ao governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, começa a se fechar na CPI do Cachoeira. A revelação feita ontem pelo Estado de que uma empresa fantasma controlada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi utilizada para quitar dívidas de campanha de Perillo fez com que parlamentares voltassem a defender a quebra dos sigilos bancários, fiscal e telefônico do governador goiano. O líder tucano no Senado, Álvaro Dias (PR), admitiu que o partido está "sangrando".

Integrantes da comissão também querem convocar, já na próxima semana, o jornalista Luiz Carlos Bordoni, responsável pela propaganda de Perillo no rádio em 2010. Em entrevista ao Estado, ele disse que o pagamento de uma dívida eleitoral de R$ 45 mil foi feita na conta de sua filha, Bruna, pela Alberto e Pantoja, empresa controlada, segundo a Polícia Federal, por Cachoeira.

A operação foi comandada, segundo Bordoni, por Lúcio Fiúza Gouthier, assessor especial de Perillo. O governo goiano afirmou desconhecer a dívida e que a empresa não pagou nenhuma despesa de campanha de Perillo.

"Esse é mais um fator complicador para o governador", afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que apresentou um pedido para convocar Bordoni.

Randolfe defende que na reunião de terça-feira a CPI vote também a quebra dos sigilos de Perillo. Na última quarta-feira, após intensos protestos da bancada tucana, a comissão recuou da intenção de votar o pedido.

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), disse que somente quebrando o sigilo bancário do governador de Goiás será possível descobrir a "extensão" dos pagamentos feitos pelo esquema de Cachoeira a ele.

Pinheiro afirmou que, caso seja aprovado o pedido, seria melhor adiar em pelo menos uma semana o depoimento de Perillo, marcado para o dia 12, a fim de que os dados bancários cheguem à CPI e sejam analisados.

Já o líder da bancada petista na Câmara, Jilmar Tatto (SP), afirmou que Perillo deveria tomar a iniciativa de apresentar por conta própria à CPI seus extratos bancários. "Como ele (Perillo) já se colocou à disposição (da CPI), espero que ele tome a iniciativa e disponibilize o sigilo dele", completou o deputado.

Tatto disse que espera que o PMDB apoie o pedido - o partido é acusado por petistas de ter se aliado ao PSDB para evitar a convocação do governador do Rio, o peemedebista Sérgio Cabral. "Espero que a comissão, especialmente o PMDB, concorde com a quebra. Se não, começa a ficar esquisito."

Apoio dúbio. A série de denúncias tem abalado o apoio incondicional que os tucanos tentam demonstrar a Perillo. Em entrevista à Rádio Estadão ESPN, o presidente do PSDB, o deputado Sérgio Guerra (PE), disse desconhecer o teor da acusação feita pelo jornalista, mas reafirmou a confiança de que Perillo esclarecerá o episódio. "Ele tem disposição de ser investigado e de prestar depoimento. Ele tem nossa confiança."

Já Álvaro Dias afirmou ser "evidente" que o partido está sangrando com as denúncias que envolvem o governador de Goiás. "É evidente que (o PSDB) fica (sangrando). Isso sangra qualquer agremiação partidária. Nós temos que agir suprapartidariamente, especialmente quando se trata de questão ética", afirmou ele, que tentará antecipar para a próxima terça-feira o depoimento de Perillo, numa estratégia de redução de danos.

Questionado se o PSDB mantém confiança em Perillo, Álvaro Dias disse que essa é uma decisão pessoal. "Há no partido os que mantêm confiança e os que não mantêm. Da nossa parte, defendemos a prudência de ouvir o governador, oferecer a ele espaço para as explicações", ponderou o senador.

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