CPI, em crise, pretende reconvocar contraventor

De 26 convocados, só 6 não usaram o direito de ficar calados e ontem 4 depoentes nem apareceram; Cachoeira seria solução para acabar com o marasmo

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 03h07

A CPI do Cachoeira passa por uma crise de identidade. Além de não conseguir que os depoentes falem, os integrantes da comissão gastam a maior parte do tempo em meio a uma disputa política protagonizada pelo PT e o PSDB. Dos 26 convocados, apenas seis não usaram do direito de permanecer em silêncio na CPI. Ontem, quatro depoentes sequer apareceram para depor. Diante do marasmo, a comissão pretende reconvocar o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O mais novo round da desavença entre tucanos e petistas acontecerá amanhã, na sessão administrativa da CPI. A oposição (PSDB, DEM e o PPS) e os chamados parlamentares independentes (PDT) querem convocar Fernando Cavendish, principal acionista da Delta Construções, e o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot.

Em represália, o PT e parte dos partidos aliados ameaça chamar o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira da Silva, o Paulo Preto, acusado de ter feito caixa 2 para os tucanos. Quer convocar ainda Adir Assad, empresário de São Paulo (estado governador pelo tucano Geraldo Alckmin) que fez carreira no ramo do entretenimento, e é suspeito de ser um dos laranjas de Cachoeira.

"Esta é uma CPI diferente porque resulta de duas operações da Polícia Federal. A maioria das pessoas que chega aqui já é investigada", disse o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), ao refutar que os trabalhos da comissão estão esvaziados.

'Jagunço'. Cunha preferiu não responder às críticas de Perillo que, em entrevista ao Estado, o acusou de ser "jagunço a serviço de terceiros". "Não vou bater boca com o governador."

Paralelamente aos conflitos políticos, técnicos da CPI detectaram que dados bancários enviados à comissão são inconsistentes. Foi o caso ontem dos valores debitados, nos últimos dez anos, de contas de dez bancos usados pela Delta Construções, que apontaram R$ 1,407 trilhão de movimentação.

"O susto é esse valor", disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). "Há uma inconsistência de dados", disse o relator. Segundo ele, os técnicos da CPI estão tentando descobrir o que ocorreu. Pelos dados enviados à Comissão entraram R$ 7,03 bilhões nas dez contas bancárias da Delta nos últimos dez anos.

Na sessão administrativa de amanhã, a CPI deverá aprovar a convocação do prefeito de Palmas, Raul Filho, que foi flagrado em vídeo negociando com Cachoeira.

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