CPI do Cachoeira pede sequestro de bens de 30 envolvidos

Comissão também quer que Justiça retenha passaporte do grupo; objetivo é evitar venda de imóveis e fuga do País

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h03

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira encaminhou ontem ao Ministério Público Federal em Goiás ofício solicitando o sequestro de bens de 30 pessoas envolvidas com o esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, acusado de comandar um esquema de jogo do bicho e exploração de máquinas caça-níqueis em quatro Estados e no Distrito Federal com a ajuda de agentes públicos. A CPI pede ainda a retenção dos passaportes dos integrantes do grupo de Cachoeira. O objetivo é evitar a venda dos imóveis e a fuga para o exterior.

Pelos dados da CPI, Cachoeira possui em seu nome apenas um terreno em um condomínio de Goiânia avaliado em R$ 1,5 milhão. A maioria de seus bens está registrada no nome de seus parentes. Reginaldo Almeida Ramos, um dos irmãos de Cachoeira, tem em seu nome bens avaliados em R$ 17,1 milhões.

Já Andressa Alves Mendonça, atual mulher do contraventor, tem uma fazenda avaliada em R$ 20 milhões, em Brasília.

Andrea Aprígio de Souza, ex-mulher do contraventor, tem um patrimônio estimado de R$ 16,3 milhões, entre apartamentos, terrenos e salas comerciais, e um avião avaliado R$ 750 mil.

Adriano Aprígio, irmão de Andrea, possui imóveis no valor de R$ 9,4 milhões.

Ex-diretor regional da empreiteira Delta Construções na região Centro-Oeste, Claudio Abreu - acusado de atuar em conjunto com o contraventor na cooptação de agentes públicos - tem bens estimados em R$ 4,6 milhões. Junto com outros quatro sócios, entre eles Adriano e Abreu, Cachoeira também é dono de uma fazenda em Brasília, avaliada em R$ 17,5 milhões.

"Há fortes indícios que a construção desse patrimônio se deu por fraude em licitação ou por jogatina", afirmou ontem o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). "Quem adquirir estes bens pode estar comprando terreno na lua", observou. "Existe essa possibilidade de integrantes da organização criminosa estarem se desfazendo de seus bens para fugir", disse o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Fuga. Nesse sentido, reportagem do jornal Correio Braziliense mostrou que José Olímpio Queiroga Neto, um dos integrantes do grupo de Cachoeira, estaria dilapidando seu patrimônio e articulando sua fuga para o exterior. Segundo o jornal, Queiroga Neto estaria vendendo um terreno, em Brasília, pela metade do preço - a terra está avaliada em R$ 3 milhões, mas ele pôs a venda por R$ 1,5 milhão.

No ofício encaminhado aos procuradores Daniel Resende Salgado, Léa Batista de Oliveira e Marcelo Ribeiro de Oliveira, a cúpula da CPI argumentou que o sequestro de bens feito pela Justiça em fevereiro "não abordou a integralidade dos bens da organização uma vez que novos relatórios, Relatório Patrimonial - Avaliação, objeto da investigação da Policia Federal das operações Monte Carlo e Vegas e Relatório de Análise n.º 156/2011 do Departamento de Organização Imobiliária apresentam novos bens".

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