CPI do Cachoeira é protocolada no Congresso

340 deputados e 67 senadores apoiaram a criação da comissão; PMDB já trabalha para assumir controle da investigação dos negócios do contraventor

JOÃO DOMINGOS, EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 03h02

O pedido para criar a CPI do Cachoeira - que vai investigar as ligações políticas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira - foi protocolado na noite de ontem no Congresso com 67 assinaturas no Senado e 340 na Câmara. O requerimento necessitava de pelo menos 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.

O PT, para amenizar os rumores de que estaria envolvido numa "operação abafa" para proteger os parlamentares citados nas conversas com Carlinhos Cachoeira, correu ontem para colher assinaturas a favor da CPI.

O PMDB, no entanto, já trabalha para assumir o controle da CPI e se transformar numa espécie de tutor das investigações para assim negociar com o Planalto. A ideia é mostrar que a CPI é uma "invenção do PT" e que, uma vez instalada, vai acabar respingando no governo de Dilma Rousseff por culpa do voluntarismo de seu próprio partido.

A comissão só será instalada após a leitura de requerimento de criação e a conferência de todas as assinaturas. Como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), está hospitalizado e pediu licença por 15 dias, caberá a vice-presidente Rose de Freitas (PMDB-ES) convocar sessão para ler o requerimento. Em seguida os partidos deverão indicar os respectivos membros da CPI.

Detentor da presidência da CPI, por ser o maior partido no Senado, o PMDB vai esperar para ver o PT chegar ao auge do desgaste com a presidente, para assim aparecer como o "salvador da Pátria". "Essa pode ser a CPI mais sangrenta da História", disse o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). "Nós não queríamos a CPI. O PT insistiu em fazê-la. Tudo poderia ter sido resolvido pelas investigações da Polícia Federal e Ministério Público", afirmou Raupp.

Pelo Planalto, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) disse que o governo não participará de "nenhuma operação abafa", porque a agenda do Executivo é outra: aprovação de projetos como a Lei Geral da Copa e a flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) reagiu contra a tentativa da base de excluir das investigações da CPI empresas e pessoas ligadas ao governo. "Não podemos começar uma CPI tirando ou incluindo de uma forma discricionária A ou B, seja agente público ou privado."

Cautela. Enquanto petistas e oposição iam atrás das assinaturas, o PMDB manteve a cautela. "Não há mais como deixar de assinar a CPI. Mas temos a consciência de que o PMDB não é um partido com vocação para pitbull. Não temos essa espécie na nossa bancada", disse o senador Eunício Oliveira (CE). Ele avisou ainda aos petistas: "Não botem no colo do PMDB um problema que não é dele".

Antes de liberar a assinatura de parlamentares a favor da CPI, o PMDB buscou orientação do Planalto sobre a investigação. O líder no Senado, Renan Calheiros (AL), perguntou ao líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), qual era a ordem. Braga respondeu: "Não tenho nenhuma orientação". / COLABOROU ROSA COSTA e RICARDO BRITO

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