CPI decide se convoca Gurgel na próxima quinta

Parlamentares do PT e senador Collor defendem ida de procurador-geral à comissão; oposicionistas e até parlamentares da base atacaram proposta

LISANDRA PARAGUASSU, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2012 | 03h06

O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse ontem que a comissão deve votar na próxima quinta-feira um pedido para convocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para prestar depoimento. Deputados e senadores do PT e o senador Fernando Collor (PTB-AL) defendem a ida do procurador à comissão. Mas senadores da oposição e parte da base aliada criticam a convocação.

Gurgel já sinalizou que não pretende ir à CPI caso seja convocado. Ele pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). O argumento é o de que estaria impedido legalmente de depor como testemunha porque é o acusador contra Cachoeira e os parlamentares no STF.

Ontem, em um plenário quase vazio, como é comum nas sextas-feiras, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), Pedro Simon (PMDB) e Rodrigo Rollemberg (PSB) criticaram o PT por tentar forçar a convocação do procurador e acusaram o partido de tentar desviar o foco da CPI.

"Trata-se de uma manobra para desviar as atenções do foco principal da CPI e em relação ao julgamento do mensalão, que se aproxima", disse Aloysio. O tucano defendeu as razões para Gurgel não ter aberto processo contra o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), e os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO), envolvidos com o esquema de corrupção montado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

De acordo com o senador, não havia elementos suficientes para denunciar os envolvidos naquele momento, mas Gurgel não teria arquivado a investigação, e sim esperado para obter mais informações. "Se ele fizesse isso levantaria a lebre. Prudentemente, o procurador-geral da República evitou tomar essa providência. E foi graças a isso que os comparsas de Carlos Cachoeira continuaram suas conversas, o que permitiu o resultado obtido", afirmou.

Má-fé. Pedro Simon chegou acusar o PT de má-fé por tentar levar para a CPI a investigação do que ele chamou de "inércia do procurador". "Parece piada, mas é a verdade. Transformar a CPI do Cachoeira na CPI do procurador-geral é algo que não pode ser levado a sério", disse, lembrando que um dos antecessores de Gurgel, Geraldo Brindeiro - procurador-geral entre 1995 e 2003 - chegou a ser apelidado de "engavetador-geral da República", mas nem por isso o PT tentou investigá-lo. "O PT poderia tomar uma providência no âmbito do próprio Ministério Público e deixar a CPI seguir seu caminho", declarou.

Rollemberg afirmou que é "um erro grave a CPI querer lançar suspeitas sobre a atuação do procurador". "O procurador deve ter autonomia. É importante registrar que o procurador, indicado pela presidente da República, foi sabatinado e aprovado pelo Senado, que demonstrou confiança no seu trabalho", disse.

Subprocuradora. Em outra frente de pressão a Gurgel, o senador Sérgio Souza (PMDB-PR) apresentou requerimento para cobrar a quebra do sigilo telefônico da subprocuradora Cláudia Sampaio, mulher dele. O pedido tem como base as informações repassadas pelo delegado Raul Alexandre Marques Sousa à CPI na sessão reservada de terça-feira de que ela, que cuidou do caso, não o levou adiante.

Cláudia disse a pessoas próximas que não levou adiante as investigações porque não encontrou "elementos concretos" para pedir abertura de inquérito contra os parlamentares ao Supremo. Só não pediu o arquivamento porque, segundo ela, a Polícia Federal lhe pediu para segurar o caso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.