CPI convoca dois governadores e quebra sigilos de Demóstenes Torres

Caso Cachoeira. Comissão avança com a aprovação dos depoimentos de Agnelo Queiroz (PT-DF) e Marconi Perillo (PSDB-GO) e com pente-fino na relação do senador com o contraventor Carlos Cachoeira, mas Sérgio Cabral (PMDB-RJ) é poupado pelos parlamentares

EUGÊNIA LOPES, FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2012 | 03h13

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira aprovou ontem a convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Com a ajuda dos tucanos, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), foi poupado de ser obrigado a ir à CPI para explicar sua relação com o principal acionista da Delta Construções, o empresário Fernando Cavendish. No caso do petista, a insatisfação da base com o Planalto foi decisiva para a convocação dele.

A CPI aprovou também a quebra do sigilo bancário, fiscal, telefônico, de e-mail, mensagens e de Skype do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO), acusado de integrar o esquema ilegal do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira (leia abaixo). As votações da quebra dos sigilos do governador Perillo e dos deputados Sandes Júnior (PP-GO), Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ) foram adiadas para a próxima sessão legislativa da CPI, marcada para 12 de junho.

A aprovação da convocação do petista Agnelo foi uma resposta dos partidos da base ao tratamento dispensado pelo governo Dilma Rousseff aos aliados. O PP, o PSB, o PR, o PTB e o PSC votaram a favor da ida do petista à CPI para marcar posição contra o atraso na liberação de verbas de emendas e no preenchimento de cargos de segundo e terceiro escalões.

O PMDB também está insatisfeito com o governo, mas decidiu acompanhar o PT, que votou contra a ida de Agnelo, em troca do apoio à não convocação de Cabral. Foram 16 votos favoráveis à convocação de Agnelo e 12 contra. Com o voto de três parlamentares do PSDB, o governador Cabral escapou de ser convocado para depor na CPI. Ex-tucano, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, hoje no PMDB, teria intercedido a favor de Cabral entre seus ex-colegas de partido. "A CPI deve investigar o que está no seu escopo. Não há nenhuma referência do Sérgio Cabral com o Cachoeira", afirmou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), um dos tucanos que votaram contra a ida de Cabral à CPI.

Salvação. Além dele, outros dois tucanos votaram para salvar o governador do Rio: o senador Cássio Cunha Lima (PB) e o deputado Domingos Sávio (MG).

Durante a CPI dos Correios, que desvendou a existência do mensalão, Sampaio fez dobradinha com o então deputado Eduardo Paes. Ontem, o tucano paulista negou que tenha sido procurado pelo prefeito para salvar Sérgio Cabral. "Se fosse para eu proteger alguém, eu ia proteger o meu governador (Marconi Perillo) e não o Sérgio Cabral."

Foram 17 votos contra a convocação do governador peemedebista e 11 favoráveis. Ou seja, sem a ajuda dos tucanos, a votação teria ficado empatada, estabelecendo um impasse na CPI. "Vamos chamar o governador do Rio de Janeiro porque ele pôs um guardanapo na cabeça e ficou dançando?", perguntou o senador Humberto Costa (PT-PE), ao defender Cabral.

"Está claro que o Sérgio Cabral não foi cooptado pela organização criminosa do Cachoeira", emendou o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). Em sua avaliação, a presença neste momento dos dois governadores na CPI servirá apenas para "dar palanque" para eles se defenderem e "dizerem o que quiser". Não foi marcado o depoimento de nenhum dos dois governadores. Cunha não descartou a possibilidade de convocação futura de Cabral, caso apareçam indícios de sua participação no esquema ilegal de Cachoeira.

Antes de ser derrotado na convocação de Agnelo Queiroz, o relator Odair Cunha desistiu de quebrar o sigilo de Marconi Perillo. Durante a discussão do requerimento, a maioria dos aliados deixou claro que votaria pela quebra dos sigilos dos três governadores e não apenas do tucano, como defendeu o relator do PT.

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