CPI congela investigação até o final das eleições

Governo e oposição temem que imagens contaminem campanhas de seus candidatos

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2012 | 03h10

Um acordo fechado entre os governistas e a oposição decidiu enterrar ontem a CPI do Cachoeira com a suspensão de seus trabalhos até o primeiro turno das eleições municipais, que vão ocorrer no dia 7 de outubro. A paralisação das investigações conta com o aval do governo.

"Não podemos deixar a CPI sofrer com a contaminação eleitoral", alegou o vice-presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Tanto petistas quanto tucanos querem evitar a exploração de imagens e de depoimentos que acabem embaraçando as campanhas de seus candidatos.

Uma eventual prorrogação da CPI, prevista para terminar no dia 4 de novembro, vai depender do resultado das eleições municipais, das capitais em que os petistas sairão vitoriosos e do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. Se o PT achar que saiu muito prejudicado, a tendência é que a CPI seja prorrogada. Para isso, os petistas terão de convencer os aliados, que estão ávidos pelo fim dos trabalhos da comissão.

"Se tiver prorrogação vai ser só por 15, 20 dias", avisou o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). "Não é bem assim. Vamos ter de ver isso depois das eleições", rebateu o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG). "Só vamos decidir se ampliamos o foco da CPI depois das eleições", afirmou Paulo Teixeira.

A decisão de paralisar a CPI até as eleições foi comemorada no Planalto. O governo considerou um "erro estratégico" do PT na CPI a convocação de Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit), e de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, responsável pelas obras em estradas em São Paulo, durante governos tucanos. A presidente Dilma Rousseff teria ficado particularmente irritada com o depoimento de Pagot.

Arrecadações. À CPI, o ex-diretor do Dnit disse que, em 2010, arrecadou entre R$ 5,5 milhões e R$ 6,5 milhões para a campanha presidencial de Dilma. Os recursos foram doações de cerca de 30 a 40 empresas que, na época, tinham contrato com o Dnit. No depoimento, Pagot também "jogou na lama" outra autoridade com assento no Planalto: a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT-SC). Segundo Pagot, a petista o teria procurado para pedir sua intermediação em doações para sua campanha ao governo de Santa Catarina.

Apesar das acusações de Pagot à presidente Dilma e à ministra Ideli, nenhum líder petista se prontificou a ir à CPI para defendê-las. Nas cerca de nove horas de sessão, apenas três petistas se revezaram na CPI - Paulo Teixeira. Odair Cunha e o deputado Emiliano José (PT-BA).

A estratégia do PT na CPI fracassou com o depoimento de Paulo Preto, que nada falou para comprometer os tucanos. A bancada petista pretendia controlar a boca de Pagot e fazer falar, o que consideravam a metralhadora giratória, Paulo Preto, para constranger José Serra, candidato à Prefeitura de São Paulo. O resultou foi, no entanto, inverso, o que desagradou o Planalto.

Pelo acordo firmado entre governistas e oposição, Odair Cunha apresentará um balanço das investigações da CPI na primeira semana de outubro, na véspera da eleição. Na semana seguinte, a comissão se reúne para decidir se pede a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 12 empresas que receberam recursos da Delta Construções e são suspeitas de serem laranjas.

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