CPI começa com plano para blindar Planalto

Após ser escolhido, o relator Odair Cunha (PT-MG) já declarou que investigações devem se voltar apenas a Cachoeira

JOÃO DOMINGOS, EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h07

Com ampla maioria governista, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira começa a funcionar hoje pronta para blindar o governo. Mal foi indicado como relator da CPI, o deputado Odair Cunha (PT-MG) deixou claro, ontem, o limite das investigações: elas não podem atingir o Planalto ou integrantes do governo. Dos 32 titulares da CPI, só 7 serão de partidos de oposição.

"Temos que ter clareza de que estamos investigando Carlinhos Cachoeira e suas relações. Não é uma investigação que necessariamente vá para cima do Planalto ou qualquer membro do governo. Queremos investigar o fato determinado que originou a CPI", disse Cunha, ao negar "conflito de interesse" com o fato de ser vice-líder do governo e relator da comissão. "Não sou nem mais nem menos governista do que qualquer deputado do PT."

Num primeiro momento, a base aliada na CPI deverá poupar dois assessores do Planalto que tiveram seus nomes ligados a Cachoeira. O ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot acusou assessores do Planalto de atuarem para derrubá-lo, deixando vazar informações de interesse da organização de Cachoeira. A convocação de Pagot é vista como inevitável, até por governistas.

Em entrevista ao Estado, o ex-diretor do Dnit disse que o subchefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto, e o porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann, repassaram dados de reunião sigilosa da presidente Dilma Rousseff com a cúpula dos Transportes, em 5 de junho de 2011. Pagot alegou que, como diretor do Dnit, afetou interesses da Delta Construções, o que teria motivado retaliação do grupo de Cachoeira.

Antes de aprovar qualquer requerimento, incluindo a convocação de Cachoeira, Odair Cunha afirmou que pretende analisar os documentos das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal. "Queremos produzir uma investigação séria e serena que identifique o poder paralelo que se instalou a partir de Cachoeira."

Vazamento. O presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), mostrou-se mais preocupado com os vazamentos de documentos das operações do que com as investigações da CPI. E antecipou que não vai atender ao pedido da oposição para criar sub-relatorias . "As sub-relatorias podem facilitar o vazamento", argumentou.

A divulgação ontem dos nomes que integrarão a comissão parlamentar mista evidenciou a estratégia do PMDB de tentar mostrar que a CPI é do PT. Enquanto os petistas lançaram mão de suas estrelas e ex-líderes partidários, o PMDB indicou parlamentares pouco expressivos.

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