Daniel Teixeira / Estadão
Daniel Teixeira / Estadão

Covas e Boulos têm táticas distintas para vices

Enquanto Guilherme Boulos exalta Luiza Erundina desde o primeiro turno, Bruno Covas deixa Ricardo Nunes de lado em sua campanha

Ricardo Galhardo e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2020 | 05h00

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) têm táticas distintas para seus vices. Enquanto o vereador Ricardo Nunes (MDB) é deixado de lado nas propagandas de TV e no material de campanha do prefeito tucano, a deputada federal Luiza Erundina (PSOL) é aparição constante nas agendas públicas de Boulos. 

O PSOL pretende dar protagonismo aos candidatos a vice-prefeito no segundo turno. O partido vai intensificar o uso da imagem de Erundina, principalmente na periferia. O objetivo é usar as realizações do mandato de Erundina, entre 1989 e 1993, como os mutirões da casa própria e construção de seis hospitais para reforçar o vínculo de Boulos com essa parcela da população. A zona eleitoral em que o candidato teve mais votos foi Pinheiros, na zona oeste. Buscar apoio na periferia é visto como importante para aumentar a votação.

Em outra frente, a campanha deve explorar as suspeitas envolvendo Nunes e a influência do governador João Doria na sua escolha para atacar Covas (PSDB). A forma como isso será feito ainda não foi detalhado pelos responsáveis pela comunicação da campanha do PSOL. Já se sabe que questões pessoais não serão mencionadas. Na terça-feira, 17, apoiadores de Boulos – sem ligação oficial com a campanha – já começaram a usar as suspeitas de envolvimento de Nunes em irregularidades no aluguel de creches conveniadas à Prefeitura de São Paulo. 

Em 26 de outubro, o Estadão mostrou que uma empresa da família de Nunes recebeu R$ 50 mil de creches conveniadas com a Prefeitura, para prestação de serviços sem licitação no ano passado. As creches são dirigidas por aliados políticos do candidato, que é vereador desde 2012. Segundo o jornal Valor Econômico, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público investiga Nunes e os vereadores Rodrigo Goulart (PSD) e Senival Moura (PT) por suspeita de superfaturamento no aluguel de creches para a Prefeitura. 

Nunes não tem o mesmo protagonismo de Erundina. Indicado pelo MDB, que detém o maior tempo de TV no horário eleitoral gratuito, até tem aparecido nas agendas eleitorais, mas não é destaque nos comerciais de TV e rádio ou nos materiais gráficos e virtuais da campanha. “Nessa prática do ódio do PSOL eles estão explorando o nada. Estão usando um instrumento sem sentido”, disse o vereador emedebista. Sobre o destaque de Erundina na campanha de Boulos, o candidato a vice de Covas disse que a presença dela é para compensar a falta de experiência do candidato. 

Durante a apuração no 1° turno, Nunes foi um dos primeiros a chegar ao diretório estadual do PSDB, mas na hora da coletiva optou por não ficar diante das câmeras ao lado do candidato e do governador João Doria (PSDB). Segundo o coordenador da campanha de Covas, Wilson Pedroso, a estratégia de usar Nunes para atacar Covas não pegou no primeiro turno. 

Sempre que questionado sobre as denúncias contra o vice, Covas faz uma defesa enfática do companheiro de chapa. “Nunes já está no seu oitavo ano de mandato, não responde a nenhum processo judicial, não há nenhuma denúncia que ele responda no Judiciário, durante essa nossa gestão nós economizamos R$ 7,7 mi por mês por conta da revisão de aluguéis, não há nada que descredencia o trabalho do Ricardo Nunes”, disse Covas, após o fechamento das urnas.

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