Daniel Teixeira e Taba Benedicto/Estadão
Daniel Teixeira e Taba Benedicto/Estadão

Covas e Boulos: nova polarização confronta perfis e propostas distintas

Bruno Covas, atual prefeito, centrou a campanha na defesa de sua gestão; Boulos, do PSOL, ocupa o espaço deixado pela fadiga do PT

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 05h00

A votação para a Prefeitura de São Paulo definiu a realização de um segundo turno entre um candidato do PSDB e um adversário do campo da esquerda. A novidade este ano, no entanto, é que uma das vagas para disputar o segundo turno com o prefeito tucano, Bruno Covas, não é de um candidato do PT, mas do PSOL.

Ao garantir presença na segunda etapa da disputa no maior colégio eleitoral do País, Guilherme Boulos registrou o mais expressivo resultado de seu partido nestas eleições.

Os resultados do primeiro turno indicam também que os paulistanos terão de escolher entre duas propostas e perfis distintos. De um lado, Covas, um tucano “puro”, que segue a cartilha social democrata e se situa no centro do espectro político.

Como esperado, o prefeito centrou a campanha na defesa de sua gestão, iniciada em abril de 2018 – apesar de, na maior parte do período eleitoral, ter “escondido” o padrinho político, o governador João Doria, de quem era vice. Propostas de Covas preveem o funcionamento pleno dos novos hospitais de Parelheiros e Brasilândia, com oferta de mais de 630 leitos; ampliação da malha cicloviária para mais de 650 km, entre outras.

Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), ocupa o espaço deixado pela fadiga do PT entre o eleitorado de São Paulo. O candidato do PSOL, por exemplo, promete “reverter, gradativamente, o processo de privatização, terceirização e conveniamento da educação”. Ele também propõe abrir canais de financiamento e crédito para pequenos comerciantes, indústrias e cooperativas da economia solidária.

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Covas, de 40 anos, teve um caminho tranquilo até o segundo turno. O tucano iniciou a campanha em segundo lugar, mas ainda em outubro assumiu a dianteira e cresceu nas pesquisas à medida que se tornava mais conhecido do eleitorado. Na condição de prefeito e líder das pesquisas, naturalmente foi o principal alvo de ataques dos adversários na propaganda eleitoral de rádio e TV, e nos debates. Com a estratégia de “jogar parado”, e beneficiado pelo maior tempo de exposição em rádio e TV no horário eleitoral, Covas manteve a trajetória ascendente.

Já Boulos, de 38 anos, iniciou a campanha na terceira colocação. Com pouco tempo de TV, mas com uma bem sucedida campanha na internet – na qual procurou vencer a alta taxa de desconhecimento colando sua imagem na de sua vice, a ex-prefeita Luiza Erundina, Boulos conseguiu crescer. Ele também se beneficiou do “derretimento” do candidato do Republicanos, Celso Russomanno.

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A aposta agora dos dois candidatos é ampliar o índice de conhecimento junto ao eleitorado. Nesta etapa, os adversários entram na disputa em condições mais equivalentes, pelo menos no horário eleitoral, onde o tempo é o mesmo para os dois.

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