Costa reage a PT e se mantém na disputa

Prefeito do Recife rejeita saída negociada pela cúpula nacional e por Lula, de abdicar da candidatura em favor do senador Humberto Costa

ANGELA LACERDA / RECIFE, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2012 | 03h19

O prefeito do Recife, João da Costa, anunciou ontem que mantém sua candidatura à reeleição, em uma reação à direção nacional do PT e ao ex-presidente Lula. "Não vejo argumento, circunstâncias nem razões suficientes para não manter a candidatura", disse ele, em entrevista no diretório municipal da legenda, ao defender o seu nome como a melhor alternativa do partido para vencer as eleições municipais deste ano.

Ao lado de aliados petistas, ele disse ter vencido a prévia realizada no dia 20 - e anulada pela direção nacional - e se preparava para vencer novamente a nova prévia, que ocorreria no próximo domingo.

Diante da renúncia do seu adversário, o secretário estadual de Governo, Maurício Rands, da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), oficializada anteontem, em benefício da candidatura alternativa do senador Humberto Costa, o prefeito disse aguardar a homologação da sua candidatura.

Deliberação. O presidente estadual do PT, deputado federal Pedro Eugênio, informou que na terça-feira, em São Paulo, a executiva nacional se reunirá para deliberar sobre a situação do Recife.

Há duas possibilidades: ou a candidatura do prefeito é homologada ou a direção nacional intervém e determina que o candidato será o senador Humberto Costa, também da CNB.

É prerrogativa do partido definir candidaturas em cidades com mais de 200 mil habitantes. O presidente nacional da legenda, Rui Falcão, desistiu de vir ao Recife hoje, diante da resistência do prefeito. Pedro Eugênio antecipou que vai conversar com João da Costa a fim de tentar convencê-lo de que o nome de Humberto Costa "pode ser um instrumento de pacificação" da legenda.

O partido está rachado, o que ficou exposto na realização da prévia - posteriormente anulada - marcada por discursos duros e acusações de ambas as partes. Na entrevista, João da Costa destacou ter passado três anos "sendo muitas vezes achincalhado", como militante e na figura institucional de prefeito do Recife. "Este tempo acabou", avisou. "Cada achincalhe vai ter resposta política."

Ele considerou "inadmissível" o tratamento que recebeu neste período, "uma tentativa de desconstrução cotidiana". "Não vou fazer guerra, mas não vou mais aceitar isso", afirmou o prefeito.

Empregos. Para o prefeito, renunciar ao direito de se reeleger seria o mesmo que admitir que o seu governo não deve ser renovado. "Recife é a capital do Nordeste que mais gera emprego, a de melhor gestão fiscal, oferece melhores serviços públicos, os indicadores de saúde melhoraram nos últimos quatro anos, dispõe de R$ 4 bilhões captados para investimentos em infraestrutura, tem a terceira obra (de mobilidade) mais veloz do Pacto da Copa, a Via Mangue; 5 mil habitações a serem entregues até o fim do ano, e o lançamento do programa Primeira Escola, com 29 centros de educação infantil até fim do ano", citou, ao defender que, com esses números e um projeto de governo petista que acompanha há 12 anos - 8 como secretário municipal e 4 como prefeito -, "não faria sentido" não ser candidato à reeleição.

Ele lembrou, ainda, ter 32% das intenções de voto em todas as pesquisas realizadas nos últimos três meses.

João da Costa afirmou sempre ter deixado claro para os dirigentes do partido que não iria desistir da sua candidatura. "Estar aberto ao diálogo não significa mudar de posição", observou.

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