Costa participou de reuniões da campanha de Lindbergh

Petista confirma conversas com ex-diretor da Petrobrás, mas alega que não houve auxílio em doações

O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2014 | 14h57

RIO - Delator de um esquema de corrupção na Petrobrás, o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa participou da campanha do senador Lindbergh Farias (PT) ao governo do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo reportagens da revista Época desta semana e do jornal Folha de S.Paulo, em sua edição de sábado, em depoimento prestado na última quarta-feira à Justiça Federal, Costa afirmou que foi procurado por um candidato a governador do Rio e que participou de reuniões sobre as eleições de 2014. Além de trabalhar em propostas para a área de energia, Costa teria a tarefa de intermediar doações de empresas para a campanha.

Costa não citou Lindbergh nominalmente, já que ele não podia mencionar o nome de nenhum político com foro privilegiado. Segundo a revista Época, o nome do senador havia sido mencionado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nas declarações decorrentes da delação premiada. Já a Folha menciona uma planilha, apreendida na casa de Costa pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Lava Jato, onde constam nomes de empreiteiras, anotações sobre a colaboração para uma campanha política e a anotação do nome Garreta.

Seria uma menção ao marqueteiro Valdemir Garreta, responsável pela assessoria de imprensa e produção da campanha de Lindbergh Farias para a TV. O documento motivou perguntas das autoridades a Costa, durante o depoimento de quarta-feira.

"O objetivo é que eu preparasse para ele um programa de energia e infraestrutura de maneira geral. E participei de umas três reuniões com esse candidato lá no Rio de Janeiro, assim como outras pessoas participaram. Foi listada uma série de empresas que poderiam contribuir para o cargo político a que ele estava concorrendo. Ele me contratou para fazer o programa de energia e infraestrutura do Rio de Janeiro. Listou uma série de empresas com que eu tinha contatos. Outras não. Hope, não conheço. Mendes Júnior, conheço. UTC, conheço. Constran, não. Engevix, conheço. Iesa, conheço. Toyo Setal, conheço. E foi solicitado que houvesse a possibilidade de as empresas participarem da campanha. E me foi dito pelo candidato", disse Costa, segundo os veículos de imprensa.

Costa teria confirmado a intermediação de pedidos de contribuição para a campanha, mas disse não saber se os pagamentos foram feitos.

Lindbergh emitiu nota, neste sábado, em que admite a participação de Costa em três reuniões de sua campanha para apenas tratar da elaboração do programa de governo na área de óleo e gás. "Ele não participou de nenhuma forma da captação de doações eleitorais. Não se pode confundir isso com as atividades ilícitas do ex-diretor posteriormente reveladas pela chamada Operação Lava Jato. Nesse período não se tinha nenhuma informação sobre tais atividades", conclui o texto.

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