Corte mostra preocupação com impunidade a corruptos no País

A condenação do núcleo operacional do mensalão pelo crime de lavagem de dinheiro levou os ministros do Supremo Tribunal Federal a classificarem corruptos e corruptores de "profanadores da República", conforme expressão usada pelo ministro Celso de Mello.

FELIPE RECONDO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2012 | 10h09

"A corrupção é tão preocupante que leva, pela venda, pela desnaturação no exercício na função pública, pelo comércio ultrajante da função pública a mais que uma apatia cívica, leva a um ceticismo cívico", afirmou o presidente da Corte, o ministro Carlos Ayres Britto. "Os cidadãos deixam de acreditar na seriedade do poder público", enfatizou.

Decano da Corte, Celso de Mello afirmou que a lavagem de dinheiro, crime julgado ontem, mereceu preocupação especial da comunidade internacional e pode, se não permanecer impune, interferir na economia e na democracia do País. "A preocupação básica é impedir que a lavagem de dinheiro, pelos diversos mecanismos utilizados, se valha de agentes e autoridade da República, que penetre na intimidade do aparelho de Estado para, a partir dos ganhos colossais que percebem ao longo da prática criminosa, exercer uma gama extensa de poder político em ordem até mesmo a comandar o Estado."

Os ministros se disseram impressionados com o desvio de R$ 73 milhões do Banco do Brasil, dinheiro que alimentou as empresas do pivô do mensalão, Marcos Valério, por meio de contratos de publicidade. "Essa operação e a consciência de que aquele serviço (de publicidade) não seria prestado é uma dessas operações que é digna de estudos", afirmou Gilmar Mendes. Ele ressaltou que chamou a atenção "a facilidade com que se tira do Banco do Brasil R$ 73 milhões" para "alimentar propósitos políticos ou de outra índole".

Na segunda-feira, os ministros começam a julgar aqueles que foram os efeitos políticos do mensalão. O tribunal julgará se o ex-ministro José Dirceu se valeu desse aparato para comprar o apoio de parlamentares do PP, PR, PMDB e PTB durante o governo Lula. Ou se o dinheiro movimentado pelo esquema e que foi parar nas mãos de parlamentares serviu para o pagamento de despesas de caixa 2 de campanha.

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