Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Corrupção toma conta de último debate na TV

Os três candidatos mais bem colocados trocam críticas e acusações em questões sobre irregularidades na Petrobrás, mensalão federal e mineiro, aprovação da reeleição, além de privatizações, autonomia do Banco Central e políticas econômicas e sociais

O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2014 | 01h09

O último debate entre presidenciáveis antes da votação do 1.º turno, na TV Globo, foi marcado pela predominância do tema corrupção. Nesta quinta-feira, os principais candidatos - Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) - protagonizaram embates diretos e ríspidos.

O formato do debate, mediado pelo jornalista William Bonner, favorecia o confronto direto entre os candidatos, que no momento das perguntas ou respostas ficavam de pé, frente a frente. Já no primeiro bloco, Marina e Aécio deram indicação do grau de acirramento da campanha e fizeram um duro duelo.

O tucano escolheu a adversária do PSB e lembrou de sua ligação no passado com o PT. “A senhora era desse partido”, destacou o candidato do PSDB.

A ex-ministra do governo Lula foi categórica na resposta, citando a denúncia de compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição no Congresso durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cabo eleitoral de Aécio. “A nova política estava na postura de que mesmo estando em um partido, nunca se rendeu aquilo que é ilícito e ilegal, como é o caso de mensalão. Você também esteve no partido que começou o mensalão, que foi a compra da reeleição. E você mesmo continuou no partido. Pessoas boas existem em todos partidos, e pessoas que cometem erros, como nos mensalões do PT e do PSDB, também existem”, afirmou. 

 

Aécio também instigou Marina ao citar sua proposta de governar com quadros e não com partidos. “Tenho dúvida sobre seu conceitos de bons”, disse o tucano, relacionando, sem citar nomes, indicações de Marina para o Ministério do Meio Ambiente. Segundo ele, cargos importantes na estrutura da pasta foram ocupados por petistas derrotados nas urnas. “Nada mais velho na política do que nomear para cargos públicos aqueles que perderam nas urnas”, concluiu Aécio.

“Em primeiro lugar, você falou que eu fui atacada injustamente pelo PT, e também fui atacada injustamente por seu partido. Pela primeira vez na história desse País os dois se juntaram para atacar uma pessoa. Existem pessoas honradas e sérias em todos os partidos, inclusive no seu, e você vai chamar de velha política?”, reagiu Marina.

Petrobrás e Correios. Antes, respondendo à pergunta de Luciana Genro (PSOL) sobre corrupção, que abriu o debate, Dilma voltou a sustentar que demitiu o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. 

Pastor Everaldo, que manteve uma espécie de tática de “dobradinha” com o candidato do PSDB, questionou Aécio sobre suspeitas de uso eleitoral dos Correios e as denúncias envolvendo a Petrobrás. “É vergonhoso o que vem acontecendo no governo, a Petrobrás deixou as páginas de economia para as páginas policiais. Os Correios, centenário, está a serviço da candidatura do PT em Minas Gerais, quem disse isso foi uma liderança do Partido dos Trabalhadores. Boa parte da correspondência enviada por nós não chegou aos destinatários”, aproveitou o tucano, que manteve a artilharia contra a adversária do PT: “Dilma disse que demitiu o diretor Paulo Roberto da Costa, mas a ata da Petrobrás disse que ele renunciou. Além disso, ele recebeu elogios por sua atuação. Este senhor está sendo obrigado a devolver R$ 70 milhões roubados da Petrobrás.”

Privatizações. Em três oportunidades, Dilma escolheu Aécio para responder suas perguntas. No segundo bloco, a petista optou pelo tucano antes mesmo de o mediador sortear o tema da pergunta. O mediador se desculpou pela confusão e pegou o papel sobre as estatais. A petista questionou o tucano sobre discursos dele, como líder do PSDB no Senado, a respeito da hipótese de se privatizar a Petrobrás. Aécio preferiu retomar a discussão sobre a demissão do ex-diretor da petrolífera. 

“Fizemos privatizações em setores que eram necessários. No nosso governo, a Petrobrás vai ser devolvida aos brasileiros”, disse o tucano, que depois, ao debater com Eduardo Jorge, agradeceu a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na plateia e foi aplaudido.

Quando estiveram frente a frente, Dilma e Marina trocaram ironias mesmo após o tempo previsto para a discussão entre as duas já ter se esgotado. 

A candidata do PSB questionou a petista sobre o fato de ela não ter entregue o programa de governo. A petista levantou dúvidas sobre a capacidade da adversária de governar o País. Marina, então, voltou ao tema corrupção, dizendo que houve uma “demissão premiada” de Paulo Roberto Costa. Dilma rebateu: “O seu diretor, nomeado por você, de fiscalização do Ibama, foi afastado pelo meu governo por desvio de recursos. E nem por isso eu saio por aí dizendo que você sabia da corrupção. Sejamos honestas.”

No momento mais tenso do debate, Luciana Genro questionou Aécio sobre o mensalão mineiro, “a origem do mensalão” e disse que “a privataria tucana foi o início da privatização”. O tucano acusou a adversária de fazer um “ espetáculo sem a menor conexão com a realidade”. 

“Quem não tem conexão com a realidade é você”, respondeu a candidata do PSOL. “Tu é tão fanático das privatizações e corrupção que você chegou a ponto de fazer um aeroporto com dinheiro público e entregou as chaves para o seu tio.”. Os candidatos reagiram com dedos em riste. “Não seja leviana”, acusou Aécio. 

Bolsa Família. Marina, na sua primeira oportunidade de perguntar, tratou de programas sociais e reafirmou o compromisso de manter o Bolsa Família. Ela também prometeu criar o 13.º salário para o programa - algo que não consta de seu plano de governo. “A minha proposta em relação aos programas sociais é que eles devem ser estendidos para alcançar a maior parte da população que não foi alcançada. Propomos dar o 13.º salário para aquelas pessoas que vivem do Bolsa Família.” / EDUARDO KATTAH, LUCIANA NUNES LEAL, FELIPE WERNECK, CLARISSA THOMÉ e MARIANA SALLOWICZ

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